Astrônomos descobrem que universo é verde

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Publicado quarta-feira, 30 de janeiro de 2002 as 20:08, por: cdb

O universo, por definição, apresenta tudo que é imaginável e algo mais. Ele tem estrelas, planetas e luas, a vida aqui e possivelmente acolá, gigantes vermelhas e anãs brancas e – “o monstro de todos os monstros” – grandes buracos negros

Ele tem até mesmo cor, concluíram os astrônomos. Se fosse possível ver o universo como um todo, a distância, ele pareceria ser de um pálido verde, entre a água-marinha e o turquesa.

Esta é a conclusão de dois astrônomos da Universidade Johns Hopkins, que misturaram as diferentes tonalidades de luz visível de 200 mil galáxias em suas palhetas e descobriram que o resultado é verde. Eles anunciaram os resultados em Washington esta quinta-feira em um encontro da Sociedade Americana de Astronomia.

“De uma perspectiva, é surpreendente que seja verde, porque não existem estrelas esverdeadas”, disse Karl Glazebrook de Johns Hopkins. “Mas é o grande número de velhas estrelas vermelhas e jovens estrelas azuis no universo que produz o verde”.

Embora seja necessária a mistura de azul e amarelo para se obter verde com pigmentos, as fontes de luz combinam-se de forma diferente. Uma mistura de azul e vermelha produz o que Glazebrook descreveu como “o tom padrão de um pálido turquesa, mas um pouco mais para o verde”.

Glazebrook e seu colega, Ivan Baldry do Johns Hopkins, admitiram que estavam “se divertindo”, brincando sobre a venda de “camisetas e canecas da cor do universo”. Mas eles também tinham um propósito sério. Eles disseram que a pesquisa poderia ajudar na elaboração de teorias sobre a formação e evolução das estrelas, uma das importantes questões de cosmologia.

Embora o universo pareça verde hoje, o cosmos, em tempos diferentes do passado e futuro, emitiria cores diferentes. Os astrônomos disseram que nos primórdios o universo provavelmente era azul, quando jovens e incandescentes estrelas azuis predominavam. Com o declínio da formação de novas estrelas e o aumento proporcional das envelhecidas e mais frias estrelas vermelhas, o universo está num período esverdeado intermediário.

Daqui bilhões de anos, quando quase todas as estrelas existentes ficarem vermelhas com o tempo, disse Glazebrook, o universo deverá entrar em seu período vermelho e final.