Assassinato de Toninho do PT pode ter sido por motivo político

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Publicado terça-feira, 11 de setembro de 2001 as 08:50, por: cdb

Peritos do IML de Campinas informaram que o prefeito Antonio da Costa Santos (PT) foi morto com um tiro disparado em movimento, provavelmente partindo de outro veículo.

As informações foram dadas aos deputados estaduais Renato Simões e Antonio Mentor, e ao senador Eduardo Suplicy, todos do PT.

Este detalhe do veículo “emparelhado” ao carro do prefeito poria em dúvida a hipótese de latrocínio, segundo Simões. Conforme os peritos, vários tiros foram disparados contra o carro de Santos, mas somente um o atingiu.

O projétil atravessou seu braço esquerdo e trespassou o corpo, saindo pelas costas.

O prefeito de Campinas, Antonio Costa Santos, o Toninho do PT, foi morto com um tiro na noite desta segunda-feira. O corpo foi encontrado em seu carro, a cerca de 20 metros da Rua Projetada, perto da Rodovia D. Pedro I e do Shopping Iguatemi.

A polícia trabalha com duas hipóteses: latrocínio e atentado político. À meia-noite, o corpo do prefeito ainda permanecia no local, para a chegada da polícia técnica.

O carro de Toninho, um Palio prata, parecia seguir em direção à Rodovia D. Pedro I. Um dos primeiros funcionários da prefeitura a chegar ao local foi o chefe de Gabinete, Gerardo Mello que reconheceu o corpo.

Tonhinho saía da academia de ginástica do irmão e estava a caminho de casa, no bairro de Souzas, quando foi abordado.Toninho era esperado no Estádio da Ponte Preta, onde havia uma festa em comemoração aos cinco anos de gestão do presidente do clube, Sérgio Carnielli.

Silêncio

Em São Paulo, a CPI da Dívida Pública interrompeu o depoimento do ex-prefeito Paulo Maluf e tanto ele quanto os vereadores da comissão mantiveram um minuto de silêncio em respeito ao prefeito.

“Toninho tinha um futuro político brilhante pela frente”, disse o presidente da Câmara, José Eduardo Martins Cardozo, que lamentou o assassinato e cobrou rigor nas apurações. “Essa é uma situação triste que deixa a cidade de Campinas e todos nós de luto.”

“Lamentamos muito o que ocorreu e esperamos que o crime seja apurado com rigor para que se saiba o que ocorreu”, afirmou o secretário de Comunicação da Prefeitura, Valdemir Garreta, em nome da prefeita Marta Suplicy. Marta não foi localizada pela reportagem.

O Secretário de Segurança Pública do Estado, Marco Vinicio Petrelluzzi, e o deputado José Genoíno (PT-SP) estavam viajando para Campinas no início da madrugada.

Sem sinais de crime político

O secretário de Negócios Jurídicos e da Cidadania de Campinas, Nilson Lucílio, afirmou que não existem elementos que possam indicar que o prefeito Antonio da Costa Santos, tenha sido morto por questões políticas. Segundo Lucílio, não existe ainda versão oficial da polícia sobre o crime.

O secretário afirmou que o prefeito jamais comentou que tivesse recebido qualquer ameaça. “O prefeito andava pela cidade tranqüilamente, cumprimentando as pessoas”, disse Lucílio. De acordo com o secretário, o prefeito não andava com seguranças e dispensava o carro oficial para ir a sua residência.

Lucílio informou que Toninho despachou com os secretários até as 21h45 e depois se dirigiu à academia Oficina do Corpo, que pertence ao irmão de Toninho, e saiu de lá por volta das 22h30.

A Avenida Projetada fica no caminho do prédio onde ele morava no bairro de Nova Campinas. o prefeito decidiu mudar para este condomínio após ter sofrido um assalto com sua esposa no dia 26 de setembro do ano passado, quando se dirigia para um debate eleitoral. Toninho mudou por razões de segurança.

O secretário disse que várias pessoas do partido recomendaram que o prefeito andasse com seguranças, mas ele sempre recusou. “Ele afirmava que não tinha cabimento o prefeito andar com segurança enquanto a população estava desprotegida.”