As trevas voltam à Faixa de Gaza

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Publicado quarta-feira, 3 de outubro de 2001 as 10:54, por: cdb

A possibilidade de reinício de conversações de paz no Oriente Médio voltou a diminuir, nesta quarta-feira, depois que nove pessoas foram mortas, em choques ocorridos nas últimas 24 horas, informaram autoridades israelenses e palestinas.

Cinco palestinos morreram quando Israel bombardeou alvos no norte de Gaza, de acordo com fontes palestinas.

A ação de Israel, na madrugada desta quarta-feira, foi em resposta a um incidente ocorrido na véspera, quando dois adolescentes israelenses foram mortos por militantes palestinos, que invadiram o assentamento judaico de Elei Sinai, em Gaza, e abriram fogo. Mais 15 moradores ficaram feridos.

A invasão do assentamento começou por volta das 7h30 da noite (2h30 da tarde, hora de Brasília). Fontes militares disseram que soldados israelenses mataram dois palestinos suspeitos de participar do ataque.

O grupo militante palestino Hamas assumiu a autoria da invasão de Elei Sinai.

Na madrugada desta quarta-feira, tanques de guerra e tratores entraram na aldeia de Beit Lahiya, em Gaza, e destruíram prédios supostamente usados pelos militantes palestinos para preparar o ataque a Elei Sinai, disse uma fonte militar israelense à CNN.

A Sociedade do Crescente Vermelho Palestino afirmou que cinco membros das forças de segurança palestinas morreram em um tiroteio que se seguiu à destruição dos prédios.

Também nesta quarta-feira, fontes da segurança palestina acusaram Israel de ter atacado com mísseis seis postos policiais da Autoridade Palestina no norte de Gaza, supostamente lançados de navios no Mar Mediterrâneo.

O porta-voz das Forças de Defesa de Israel negou a acusação.

A nova rodada de violência ocorreu horas depois de o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, ter declarado que um Estado palestino sempre fez “parte de uma visão”, mas desde que o direito de Israel à existência fosse respeitado.

A violência também ocorreu enquanto os EUA tentam ampliar uma coalizão internacional contra o terrorismo para incluir países árabes e muçulmanos na aliança.

O presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, divulgou um comunicado em que condenou o ataque ao assentamento de Elei Sinai.