As outras vozes da América

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Publicado segunda-feira, 10 de março de 2003 as 20:22, por: cdb

Sábado (8 de março, Dia da Mulher), foi o grande dia do “Code Pink”, movimento de protesto feminino. Milhares de manifestantes desfilaram em São Francisco, Washington e em outras cidades do país. Na capital, a polícia deteve cerca de 20 pessoas por terem se aproximado da Casa Branca. Entre os detidos encontravam-se dois romancistas conhecidos, Alice Caminhante (“The Color Purple”) e Maxine Hong Kingston (“The Woman Warrior”), bem como a cantora Michelle Shocked.

O movimento antiguerra americano prevê manifestações no primeiro dia da guerra, com o objetivo de desmentir a previsão segundo a qual “ao primeiro golpe de fuzil, toda a América seguirá Bush”.

Na sexta-feira, líderes nacionais de várias Igrejas (metodista, presbiteriana, batista, bem como o bispo da Igreja episcopal de Washington) publicaram um manifesto chamado “Vencer Saddam Hussein sem guerra”.

As Igrejas americanas, na sua quase totalidade, se pronunciaram contra a guerra nesta segunda-feira.

Só a “Southern Baptist Convention” e algumas Igrejas evangélicas tomaram o partido

da guerra, porque crêem que a segurança de Israel faz parte de um programa que busca trazer Cristo.

Há alguns dias, a principal confederação sindical americana, a “AFL-CIO”, tinha tomado posição contra uma guerra sem apoio da ONU.

Neste domingo, o “New York Times” mostrou sua posição num longo editorial titulado “dizer não à guerra”. Para o jornal, os objetivos desta guerra são “leves e fundados sobre premissas discutíveis”.

No mesmo jornal, o ex-presidente e prêmio Nobel da Paz, Jimmy Carter, demonstrou que o projeto de invasão do Iraque não responde a nenhum dos critérios cristãos de uma “guerra justa”. Segundo ele, todas as opções pacíficas devem ser exploradas, a violência deve ser proporcional ao prejuízo causado, os atacantes devem ter uma legitimidade aprovada pela sociedade que pretendem representar e a paz posterior deve melhorar claramente a situação preexistente à guerra.

O mundo do “show-business” continua a ser muito ativo no movimento antiguerra. Um pequeno acontecimento teve lugar em Londres: pela primeira vez desde vinte anos, Yusuf Islam voltou para o estúdio para gravar duas canções hostis à guerra: “Peace Train” e uma nova versão de “My Lady d’Arbanville”, títulos que cantava nos anos 70… quando chamava-se ainda Cat Stevens.

Tradução: Vanessa Barbosa