As impressões digitais das empresas de reflorestamento

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Publicado quarta-feira, 25 de janeiro de 2012 as 16:34, por: cdb

As impressões digitais das empresas de reflorestamento estãopor toda a parte, seja no Baixo Parnaíba maranhense ou por outras regiões doestado do Maranhão. Quando uma empresa quer botar a mão nas terras alheias comofaz a Suzano em Bracinho, Urbano Santos, Formiga e Buritizinho, Anapurus, ePólo Coceira, Santa Quitéria, outra quer tirar as suas digitais das terrasalheias e repassá-las para outro ator de menor importância no cenário econômicocomo faz a Margusa em Capão do Besta, Urbano Santos. Segundo seus informespublicitários, a Suzano segue a risca toda a legislação do país e prima pelaresponsabilidade socioambiental nas regiões onde se insere. Portanto, a própriaperfeição em forma de gestão empresarial. No fundo, no fundo, a imagem que sepassa é fictícia porque nos interiores do Maranhão tanto a Suzano como aMargusa se valem de expedientes grosseiros e até burlescos como a falsificaçãode documentos de compra e venda de terras para obterem êxito nos seus intentose quando a derrota é inevitável as duas empresas e suas terceirizadas agem comterrorismo e com má-fé contra as comunidades. Acusam-nas de invasoras e poucoprodutivas e ateiam fogo em suas áreas de extrativismo.

A Suzano Papel e Celulose, certamente, em suas açõesjudiciais, quer mandar pro espaço as comunidades agroextrativistas que encontrapela frente como a comunidade de Formiga, município de Anapurus, Baixo Parnaibamaranhense. Os advogados da empresa exercitam seu arsenal jurídico em ações dereintegração de posse em que os agricultores familiares despontam como seusadversários de “maior peso”. Quanto mais “pesado” o adversário, maisrapidamente a Justiça resolve agir.

Pelas razões da Suzano apresentadas e acolhidas por um juizinterino, os moradores de Formiga se configurariam como verdadeiros bandidostravestidos de agricultores que invad iram 148 hectares. Nem morariam lá, pelo quea Suzano informara. O juiz acolheu tão bem as razões da Suzano que além deagraciar a empresa com uma liminar condenou a família do senhor FranciscoRodrigues do Nascimento a pagar uma multa diária caso reincidisse em cercar aárea. Tudo bem escrito para que a comunidade de Formiga admitisse a derrota elargasse de mão da herança do senhor Francisco. Bem que a Suzano queria os 148hectares de mão beijada sem que nenhuma disputa judicial a atarantasse.

Com uma liminar dessas, a Suzano se consagraria como campeãda moralidade fundiária visto que disputa áreas em Urbano Santos, SantaQuitéria, Anapurus e São Bernardo com comunidades de agricultores familiares.Uma estratégia para sufocar os redutos de resistência aos seus propósitos, comose passasse um recado de que a Justiça recairia sobre as cabeças dos moradorestodas as penalidades para quem descumpre a lei. E ela permanece de olho emBracinho, Urbano Santos, Pólo Coceira, Santa Quitéria, e Enxu, São Bernardo,onde a câmara de vereadores derrubou a lei que proibia as monoculturas.

Onde não houve resistência, a Suzano arrasa as áreas deChapada como as próximas ao rio Preguiças, na Barra da Campineira, em Anapurus.