Artistas e intelectuais denunciam violência e militarização em Bajo Aguán

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado domingo, 4 de setembro de 2011 as 18:32, por: cdb

Oconflito agrário na zona de Bajo Aguán, em Honduras, continua a fazer vítimas ea aumentar o clima de insegurança na região. Indignados com essa situação, 55artistas e intelectuais do país resolveram elaborar um comunicado para chamar aatenção da comunidade nacional e internacional. O documento, divulgado ontem(1°), destaca os assassinatos de camponeses e líderes populares em Bajo Aguán eas violações aos direitos humanos no país.

O comunicado apresenta a situação dos direitoshumanos em Honduras após o Golpe de Estado ocorrido em junho de 2009. De acordocom os assinantes do documento, o país centro-americano vive hoje acriminalização dos protestos e dos movimentos sociais, e a violenta repressãocontra aqueles que denunciam o golpe.

“No campo e na cidade, nas manifestações decidadãos indignados pela crise e pelo golpe, nos desfiles de estudantes eprofessores, ali, onde exista um protesto de gente livre, faz-se presente oaparato de morte com os tanques, os fuzis, as bombas, as pistolas sob um falazargumento de que – submetidos ao império da ordem dominante e do silêncio forjadospelas armas – floresce o progresso, a democracia e a convivência”, comenta.

A situação é ainda mais preocupante na zona de BajoAguán, região de conflito agrário. Se a questão de terras já é complicada, aforma como ela vem sendo tratada é ainda pior: militarização e criminalizaçãoda luta camponesa. Artistas e intelectuais criticam as ações empreendidas pelogoverno para solucionar o impasse.

“Mas a cegueira do governo, seus compromissos com agrande empresa e seu desconhecimento das leis sociais lhe impede de ver que nãohaverá esgotamento da luta camponesa e que, se não encontrar logo uma soluçãojusta e democrática à problemática agrária, a região de Aguán pode se converterna porta de entrada para ações de maior envergadura onde estaria comprometidotodo o futuro do país”, alertam.

A denúncia de violência e impunidade na região écompartilhada pelo Movimento Unificado Campesino de Aguán Margem Esquerda (MucaMI). Em nota publicada na última quinta-feira (1°), o Movimento chama a atençãopara a falta de justiça nos casos de violência e para o aumento damilitarização na área.

“Diante de todo este panorama de violência eassassinatos seletivos que cobrem de luto nossa família camponesa, o governotem respondido militarizando o vale de Bajo Aguán. Fica evidente que amilitarização não é uma solução para o conflito, tem contribuído paraacelerá-lo, o que se manifesta no aumento de assassinatos de dirigentescampesinos e agora de dirigentes do magistério. O paramilitarismo segue a ordemdo dia realizando um suposto trabalho de profilaxia social, como tem denominadoa seus assassinados”, destaca Muca MI.

No comunicado, o Movimento ainda revela que oprojeto para a aprovação da compra e venda de 4.045 hectares de terra doempresário Miguel Facusse, apresentado pela Unificação Democrática no CongressoNacional, “não foi socializado com as 28 empresas associativas que formam oMovimento Unificado de Campesinos de Aguán (Muca) e não expressa nosso sentir epensar”.

Mais um jovem assassinado

Informaçõesda Organização Internacional de Direitos Humanos pelo Direito a se Alimentar –seção Honduras (Fian Honduras) revelam o assassinato de mais um jovem de BajoAguán na madrugada desta sexta-feira (2). De acordo com comunicado daorganização, Olvin David González Godoy, de 24 anos, foi encontrado morto nodesvio que leva à cooperativa Marañones.

Segundodirigentes do Muca MI, o jovem, que era integrante da Cooperativa 21 de Julio,afiliada ao Movimento, havia pedido licença para visitar a mãe dele na cidadede San Pedro Sula. De acordo com Fian Honduras, os líderes da organizaçãocamponesa acreditam que a morte de Godoy tem relação com o conflito agrário.