Artilharia israelense deixa rastro de mortes na Faixa de Gaza

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Publicado quarta-feira, 8 de novembro de 2006 as 12:39, por: cdb

Disparos de artilharia de Israel mataram 18 civis em uma cidade no norte da Faixa de Gaza na madrugada desta quarta-feira, no ataque mais letal no território em quatro anos, disseram autoridades e testemunhas palestinas.

– Vimos pernas, vimos cabeças e mãos espalhadas nas ruas – disse Attaf Hamad, 22, em Beit Hanoun, cidade no norte de Gaza que vem sendo usada por militantes para disparos de foguetes contra Israel.

Algumas das vítimas morreram na cama e outras correram para a rua, mas sem encontrar um lugar seguro. Treze membros de uma família morreram e entre eles há sete crianças e quatro mulheres, disseram moradores e o Ministério da Saúde palestino. O presidente palestino, Mahmoud Abbas, classificou as mortes de um “massacre horrível”. Um dirigente do Hamas exortou os palestinos a atacarem dentro de Israel, e o grupo Jihad Islâmica prometeu fazer ataques suicidas.

Israel lamentou as mortes de inocentes e abriu uma investigação. Uma porta-voz do Exército disse que forças israelenses dispararam artilharia contra o norte de Gaza em resposta a disparos de foguetes por militantes contra Israel. O gabinete do primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, informou que ele e o ministro da Defesa Amir Peretz “expressaram pesar pelas mortes de civis palestinos… e ofereceram ajuda humanitária de emergência à Autoridade Palestina e serviço médico aos feridos”.

O ministro da Defesa ordenou a suspensão dos disparos de artilharia contra Gaza até que investigação termine, disse o governo. A mídia israelense disse que uma bateria de artilharia errou o alvo, que era um local de lançamento de foguetes, a cerca de um quilômetro da cidade. Uma porta-voz militar disse que não podia confirmar.

– Estávamos dormindo e fomos acordados por disparos atingindo a casa do meu tio, do lado da minha. Depois, as janelas explodiram. Fugimos da casa e fomos atingidos do lado de fora. Os morteiros mataram minha mãe e minha irmã e feriram todos os meus irmãos – disse Asma al-Athamna, 14, que foi ferida por estilhaços.

As mortes podem provocar mais pressão mundial para que Israel detenha a ofensiva que iniciou contra Gaza em junho, depois que militantes usaram túneis para entrar no território do país e capturar um soldado, que ainda está detido.

Cinquenta e quatro pessoas ficaram feridas nos disparos de artilharia, que atingiram pelo menos sete casas, disseram testemunhas e o ministério.

“Incidente lamentável”

Forças israelense retiraram-se de Beit Hanoun na terça-feira, depois de uma semana de operações para conter os ataques de foguetes. Pelo menos 52 palestinos, sendo mais da metade militantes, foram mortos na ação, disseram fontes médicas e moradores. A ministra do Exterior de Israel, Tzipi Livni, disse que as mortes em Beit Hanoun são um “incidente lamentável” e afirmou que os disparos de foguetes foram reiniciados logo depois da retirada.

– O Exército de Israel não tem a intenção de atingir civis, isso nunca é o nosso objetivo. Mas nestas condições, incidentes como este podem acontecer – disse Livni a repórteres.

A Autoridade Palestina declarou três dias de luto.

O primeiro-ministro Ismail Haniyeh, do Hamas, exigiu a realização imediata de uma sessão da ONU em resposta aos ataques em Gaza. Ele também exigiu a suspensão das negociações com o movimento Fatah, de Abbas, sobre a formação de um governo de união, que os palestinos esperam seja capaz de ajudar a acabar com as sanções impostas pelo Ocidente devido à recusa do Hamas de reconhecer Israel.

Para os palestinos, as mortes em Beit Hanoun relembram as memórias de um ataque aéreo israelense contra um prédio de apartamentos em Gaza em 2002, que matou um importante engenheiro de bombas do Hamas, Salah Shahad, e 14 civis.

– A reação está chegando. Preparem os caixões e os sacos de corpos (em Israel) – gritou Nizar Rayan, líder radical do Hamas, para uma multidão na frente de um necrotério de