Armínio sugere que governo Lula diminua compulsório

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Publicado sexta-feira, 20 de dezembro de 2002 as 11:19, por: cdb

Presidente do Banco Central, Armínio Fraga apresentou nesta sexta-feira, durante o seminário de Economia Bancária e Crédito, promovido pelo Banco Central, em São Paulo, algumas sugestões para o próximo governo. Ele disse que o compulsório bancário poderá ser reduzido, passada a turbulência internacional da economia, o que terá um efeito positivo na redução do custo do crédito. Ele citou também a necessidade de alteração na Lei de Falências, “que tem fechado fábricas sem necessidade.”

Fraga afirmou ser favorável a uma reavaliação da incidência da CPMF, o que poderia ser conseguido por meio de um maior esforço fiscal. Ele também defendeu a necessidade de uma discussão de riscos jurídicos, de forma a agilizar a execução de garantias nos empréstimos, e exemplificou que quando morava nos Estados Unidos, conseguiu adquirir uma casa pagando 20% à vista e juros de 1,5% acima da taxa básica do Tesouro e prazo de trinta anos.

Fraga disse que uma das razões desse sistema funcionar nos Estados Unidos é que lá a Justiça é ágil na devolução da casa para o banco, caso o tomador de crédito deixe de pagar as prestações. No Brasil, esse processo leva muito tempo, o que faz com que os juros cobrados sejam mais altos, pois o risco de inadimplência é embutido no financiamento.

“Spread caiu pela metade desde 1998”
O presidente do Banco Central disse que o spread (diferença entre a taxa de captação e empréstimos do sistema financeiro) caiu pela metade desde 1998, quando o BC iniciou um trabalho de ajuste no sistema financeiro. Fraga ressaltou que foi um trabalho de equipe e que ele deixa o Banco Central como “um chefe orgulhoso com o que foi executado e com as perspectivas para o futuro.”

Durante o seminário, foi distribuída a publicação “Economia Bancária e Crédito: Avaliação de três anos do projeto juros e spread bancário”, publicada pelo Banco Central do Brasil. Segundo o estudo, o spread médio caiu de 72% em 1998 para o intervalo de 35% e 40%.

Fraga disse que durante esse período houve uma série de medidas para reduzir o spread e a mais recente, adotada ontem no Conselho Monetário Nacional, foi a criação da cédula de crédito bancário, que permitirá aos investidores institucionais participarem do sistema, criando uma alternativa para ampliar os prazos dos financiamentos.