Argentina: reflexo no Brasil “se limitará a exportações”

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado quarta-feira, 9 de janeiro de 2002 as 00:23, por: cdb

O fim do regime de conversibilidade entre o peso argentino e o dólar deve ter um impacto negativo sobre as exportações brasileiras para aquele país, de acordo com analistas. “Num primeiro momento, vamos ter um problema de redução de comércio. E esse vai ser o efeito mais direto na economia brasileira”, avalia Artur Barrionuevo, professor do Departamento de Economia da Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo.

Projeções da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) estimam que as vendas para a Argentina devem cair 30% este ano. No ano passado, o Brasil exportou US$ 5 bilhões para os argentinos; esse ano, não deve ultrapassar os US$ 3,5 bilhões. Ainda de acordo com o estudo, a venda de carros será a mais prejudicada. Outros produtos cuja exportação deve ser afetada são telefones celulares, autopeças, caminhões e calçados.

Para Barrionuevo, o impacto da crise argentina sobre o Brasil não deve ser mais profundo do que isso. “O mercado agora enxerga bem as diferenças entre Brasil e Argentina”, afirma ele. O economista acredita que o fim da paridade cambial pode ser benéfico para o fortalecimento do Mercosul, após um primeiro período de turbulência.

“A Argentina não vai mais precisar das políticas protecionistas que estavam travando o desenvolvimento das relações entre Brasil e Argentina, os principais parceiros do bloco”. No entanto, depois de anos de recessão e crise social, ninguém sabe quanto tempo a economia argentina vai demorar para se reerguer. “Na crise asiática, houve países que se recuperaram relativamente rápido, e outros que ficaram mais tempo em situação complicada, com revolta da população, quebra de empresas e problemas no sistema financeiro”, compara o economista da FGV.