Argentina inicia investigação do desaparecimento de explosivos

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Publicado quarta-feira, 7 de abril de 2004 as 03:00, por: cdb

O governo argentino iniciou um processo administrativo para investigar o desaparecimento de quase três toneladas de explosivos de uma fábrica da empresa estatal Fabricaciones Militares, informou na última terça-feira uma fonte oficial.

Em um comunicado, o Ministério da Defesa afirmou que o processo foi aberto pelo Registro Nacional de Armas, organismo dependente dessa pasta, devido ao fato de a Fábrica Militar de Azul (Fanazul) não cumpriu a obrigação de comunicar o desaparecimento do material dentro das 48 horas após o fato.

A Polícia Federal e o tribunal da cidade de Azul, cerca de 350 quilômetros ao sudoeste da capital argentina, investigam o desaparecimento de 2.820 quilos de explosivos, cujas características coincidem com o material utilizado no atentado que, em 1994, destruiu a associação judia Amia, de Buenos Aires.

O desaparecimento do material explosivo, vendido com o nome comercial de ‘nago’, teria ocorrido em janeiro passado, mas só foi denunciado em fevereiro.

Os 90 pacotes do explosivo ausentes não constavam como vendidos na documentação comercial da fábrica, o que motivou uma denúncia judicial por parte do diretor da Fanazul no dia 27 de fevereiro.

O Ministério da Defesa afirmou que ‘tomou oportunamente intervenção de ofício para estabelecer o motivo da ausência deste material denunciado pela empresa da cidade de Azul depois de saber sobre a situação através de informações públicas’.

O ‘nago’ é utilizado para a mineração ao ar livre e subterrânea, em pedreiras e em obras viárias.
No entanto, o volume de ‘nago’ desaparecido em Azul é sete vezes maior ao que foi utilizado pelos terroristas no atentado à sede Amia, um ataque que causou a morte de 85 pessoas e deixou centenas de feridos.

Os investigadores acreditam que o motivo do roubo não econômico, já que o valor da carga é de cerca de 1.000 dólares, embora especialistas afirmem que seu preço é muito mais alto no mercado ilegal.