Argentina inclui parágrafo sobre ajuda aos países em crises financeiras

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Publicado terça-feira, 28 de outubro de 2003 as 02:21, por: cdb

A Argentina conseguiu incluir um parágrafo sobre a ajuda necessária para os países azafamados com crise financeiras em suas negociações com os órgãos de crédito internacionais, destacou na última segunda-feira o chanceler desse país, Rafael Bielsa.     
 
Em seu discurso na primeira sessão da Conferência de Segurança Hemisférica da OEA, na capital mexicana, o ministro destacou que este ponto, o 36, se emoldura dentro do desenvolvimento humano, estreitamente vinculado ao conceito do novo enfoque de segurança proposto nesta reunião.

O parágrafo compromete a colaboração da Organização de Estados Americanos (OEA) aos estados que o requeiram para buscar ‘soluções urgentes às crises financeiras que afetem sua estabilidade política, econômica ou social’.

– Em conseqüência, apoiaremos o Estado membro afetado na busca de uma solução para a crise, com a devida urgência, nas negociações que seja feitas no marco institucional dos órgãos financeiros internacionais – acrescenta.

A aguda crise econômica da Argentina no início da década a obrigou a buscar ajuda financeira internacional e ainda a mantém em negociações com seus credores.

Nesse sentido, Bielsa disse que a Carta Democrática da OEA foi ‘posta a toda prova’ a miúdo na região ‘por instabilidades de ordem social e econômica’, como a que a Bolívia sofreu recentemente.

O chanceler argentino destacou que o novo enfoque de segurança proposto para o continente, que inclui novas ameaças como a pobreza, a exclusão social, o narcotráfico, a lavagem de dinheiro, a corrupção, o tráfico de pessoas e armas, entre outros, deixa para trás a ‘militarização’.

Além disso, reconhece a importância dos acordos subregionais para construir confiança, ‘passando de uma lógica de confronto a uma de cooperação’.

Nesse âmbito, destacou a reafirmação do Mercado Comum do Sul (Mercosul), que agrupa Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, além de Bolívia e Chile como membros associados, ‘como zona de paz’.

– O cone sul reduziu notavelmente suas despesas com defesa, ao tempo em que foram edificadas sólidas relações de cooperação e de fomento da confiança no campo da defesa –  disse.

Chile e Argentina foram pioneiros na homologação de despesas em defesa e a instalação de um mecanismo de consultas periódicas através de reuniões de ministros da Defesa e de Relações Exteriores (2+2) que agora o Chile pretende ampliar também ao Peru.

A esse respeito, a chanceler chilena, Soledad Alvear, afirmou que junto com Argentina, ‘avaliam muito’ a decisão de todos os países da região de incluir na declaração final referências à limitação da despesa em armamento e promoção de medidas de transparência na despesa militar e de confiança mútua, que ambos lideraram no hemisfério.

O ministro de Relações Exteriores argentino aproveitou seu discurso também para ‘reiterar o comercial de soberania sobre as ilhas Malvinas’, que em 1982 levou seu país a uma guerra com o Reino Unido.

Bielsa pediu que sejam exploradas ‘medidas sobre a possibilidade de resolver o litígio’ e pediu que ‘o mais rápido possível sejam iniciadas negociações para buscar soluções pacificas para este muito longo conflito’.