Arafat não acredita no fim de assentamentos judaicos

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Publicado sexta-feira, 6 de junho de 2003 as 00:11, por: cdb

O líder palestino Yasser Arafat fez, nesta quinta-feira, duras críticas aos resultados da reunião de cúpula de Aqaba, na Jordânia, sobre a paz no Oriente Médio.

Arafat, que não foi convidado para as negociações com Israel e com os Estados Unidos, disse que a promessa israelense de acabar com os assentamentos não-autorizados na Faixa de Gaza é insuficiente.

Na primeira indicação de que Israel está disposto a implementar o plano de paz patrocinado pelos Estados Unidos, funcionários do governo devem se reunir nesta quinta-feira para decidir como desmobilizar alguns postos avançados, segundo a imprensa isralense.

Já os palestinos, que foram representados na reunião pelo primeiro-ministro Mahmoud Abbas, também conhecido como Abu Mazen, disseram que o levante armado palestino (Infifada) tem que acabar.

Horas depois da reunião, milhares de assentados israelenses e militantes da direita fizeram uma manifestação em Jerusalém, prometendo barrar qualquer tentativa de acabar com os assentamentos ou postos avançados.

Arafat disse que o primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, “ainda não apresentou nada de tangível”.

– Qual é o significado de mudar uns trailers de lugar e, então, dizer: ‘Eu removi um assentamento’? – perguntou Arafat aos repórteres que o abordaram ao sair do seu quartel-general em Ramallah, na Cisjordânia.

De manhã, um dos principais assessores de Arafat, Nabil Abu Rudeina, disse que o líder palestino tinha afirmado à delegação palestina na Jordânia que “a coisa mais importante é que nós temos o compromisso pessoal do presidente americano, George W. Bush, para implementar totalmente o ‘mapa da paz’ da forma que ele está”.

Os Estados Unidos e Israel afastaram Arafat da frente diplomática, acusando-o de ter fracassado na missão de conter as ações dos militantes palestinos.

Arafat tem ficado confinado ao seu quartel-general desde dezembro de 2001, quando Israel determinou uma invasão da Cisjordânia com tanques em represália a uma onda de ataques suicidas.

Cerca de 40 mil manifestantes lotaram uma praça no centro de Jerusalém contra as concessões feitas por Israel.

– O que você (Sharon) está fazendo é criando um monstro do terror – discursou o ministro da Habitação israelense, Effin Eitam, à multidão.

Fontes israelenses afirmam que a segurança de Sharon foi reforçada por possíveis ameaças de extremistas judeus.

Grupos palestinos radicais também rejeitaram o apelo de Abu Mazen pelo fim da Infifada.

O ministro da Defesa de Israel, Shaul Mofaz, deve se reunir com seus assessores sobre um cronograma de implementação do “mapa da paz”, segundo a rádio oficial de Israel.

A emissora comunicou ainda que as medidas para desmontar os assentamentos irregulares devem começar a ser tomadas já na semana que vem.

O grupo ativista israelense antiassentamentos Paz Já disse que há mais de cem assentamentos avançados na Cisjordânia, onde os palestinos querem criar o seu Estado.

Segundo a imprensa israelense, apenas 15 devem ser removidos.