Após morte de segurança, Planalto vai reavaliar segurança de Lula

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Publicado sexta-feira, 20 de junho de 2003 as 10:03, por: cdb

A morte de um dos seguranças do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva – o subtenente Alcir José Tomasi – voltou a colocar em xeque a eficácia do sistema de proteção ao presidente e seus familiares comandado pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

O Palácio do Planalto quer saber se os procedimentos tomados pelos seguranças foram corretos. Dependendo do resultado da investigação – prevista para durar 30 dias -, devem ocorrer mudanças no sistema criado para garantir a integridade de Lula.

Desde a posse em janeiro, a segurança do presidente tem sido questionada por causa da ocorrência de pequenos incidentes.

Desta vez, não foi Lula que correu riscos, mas seu filho Sandro Luiz, de 23 anos.

O subtenente Tomasi trabalhava havia três anos para a Presidência da República e era tido como um funcionário exemplar e obediente às normas do sistema de segurança.

Na hora do crime, Tomasi estava acompanhado do cabo Nivaldo Ferreira Santos, ferido na mão e no tórax, mas que não corre risco de morte.

As primeiras conclusões da investigação remetem para falhas no procedimento dos seguranças da família presidencial.

Para o delegado titular do 2º Distrito Policial de Santo André, Oswaldo Fuentes Júnior, os dois agentes agredidos foram pegos de surpresa e por isso não tiveram tempo de reagir com eficiência ao ataque.

– Por ser um lugar sabidamente violento, eles não deveriam estar dentro do carro. Não é aconselhável a ninguém – disse o delegado.

O chefe da seção de segurança da Polícia Civil que presta proteção a autoridades no Distrito Federal, Cláudio Moreira, afirma que os seguranças agiram como se fossem cidadãos comuns e não como autoridades.

– A displicência não foi em relação a autoridade, que estava dentro da casa, mas com eles mesmos – aponta Moreira.

Ele lembra que o incidente não foi um atentado, mas um crime comum, já que os assaltantes não sabiam que dentro da casa estava o filho do presidente.

A classificação de crime comum, no entanto, não esconde a fragilidade do sistema de proteção às autoridades públicas.

Segundo Cláudio Moreira, a conduta dos seguranças estava equivocada na hora do acidente. Deveria ter um segurança dentro da casa, em um cômodo separado ao do filho do presidente, e outro fora. O carro era para estar trancado.

O ministro das Cidades, Olívio Dutra, vai representar Lula no enterro de Tomasi, hoje, em Santa Maria (RS).

Dutra disse ontem que o esquema de segurança do presidente não será alterado. Mas a intenção do governo é enviar ao Congresso projeto transferindo para a Polícia Federal a responsabilidade pela segurança de Lula.