Após incêndio, tráfego é liberado próximo ao prédio da UFRJ

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado terça-feira, 29 de março de 2011 as 10:49, por: cdb
O incêndio de grandes proporções atingiu o campus da Urca da UFRJ

Foi reaberto, na manhã desta terça-feira, o tráfego na pista sentido Urca, da Avenida Pasteur, na Praia Vermelha, na Zona Sul do Rio. A faixa, que fica junto ao prédio incendiado da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), estava interditada desde a tarde de segunda-feira para facilitar o trabalho dos bombeiros de combate às chamas e aos trabalhos de rescaldo.

De acordo com a Universidade, serão realizados testes no sistema elétrico. O prédio do Palácio Universitário passava por obras de restauração. Segundo a Reitoria, se o incêndio tiver relação com as obras, a UFRJ estuda tomar medidas judiciais contra a empresa contrada pelas obras.

Motoristas encontraram nesta terça-feira trânsito lento ao longo da Avenida Venceslau Brás, em Botafogo, e avenidas Princesa Isabel e Atlântica, em Copacabana, na Zona Sul, em direção ao Centro.

Durante a interdição da pista da Avenida Pasteur, os motoristas que seguiam para a Urca tinham de pegar a contramão na avenida. Os que saíam do bairro tinham de pegar as ruas Doutor Xavier Sigaud e Lauro Muller.

Cinco cursos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) retomam as aulas no Campus Praia Vermelha, na Urca, até sexta-feira, informou o reitor da instituição, Aloísio Teixeira. Ele disse também que uma avaliação será feita para saber qual foi a causa do incêndio ocorrido no prédio da faculdade.

Teixeira descartou que possa transferir os estudantes para o campus da Ilha do Fundão, na Zona Norte, pois seria muito trabalhoso. As principais hipóteses são o aluguel de outros espaços ou a montagem de abrigos provisórios para ministrar as aulas.

O incêndio fez com que fossem suspensas as aulas dos cursos de Pedagogia, Economia, Administração, Ciências Contábeis e Comunicação Social, atingindo 2.500 estudantes. Mas a preocupação maior está em torno dos documentos históricos atingidos pelas consequências do incêndio.  

– A sala onde estavam armazenados os documentos não foi atingida pelo fogo, mas sim pela água quando as chamas estavam sendo apagadas. Vamos chamar os melhores restauradores para salvar os papéis –, afirmou o reitor.

A UFRJ está no prédio da Praia Vermelha desde 1949 e no local estão documentos que datam desde a década de 1920. Aloísio Teixeira informou também que podem ser encontrados também outros papéis anteriores a esta data.

O incêndio de grandes proporções que atingiu o campus da Urca da UFRJ foi controlado após cerca de quatro horas no início da noite desta segunda-feira. Até as 21h40 os bombeiros ainda estavam no local fazendo o rescaldo. As aulas foram suspensas.

O fogo teve início por volta das 14h e fez com que o terceiro e último andar do prédio desabasse. O campus da UFRJ –onde estão localizados a capela e o salão dourado– foi construído em 1852 para ser um hospício e doado à universidade em 1940. O prédio é tombado pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) desde 1972.

Também funcionam no local a Decania do Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas, a biblioteca Pedro Calmon e o Sistema Integrado de Bibliotecas da UFRJ, além de unidades acadêmicas como a Escola de Comunicação, Faculdade de Administração e Ciências Contábeis, Faculdade de Educação, Fórum de Ciência e Cultura e o Instituto de Economia da UFRJ.

Para controlar o incêndio foi preciso captar água da piscina ao lado do prédio, do Iate Clube (que fica em frente), além de água do mar, das cisternas da universidade e dos caminhões dos bombeiros.

As atividades nas unidades que funcionam no Palácio Universitário estão suspensas nesta terça-feira.

O reitor, Aloisio Teixeira, disse que ainda não é possível saber se o incêndio atingiu o arquivo da Faculdade de Educação, que abriga documentos históricos dos 90 anos da universidade.

– É um patrimônio que se confunde com a própria história da educação do Brasil e que não poderá ser recuperado –, afirmou o reitor Aloísio Teixeira.

Para o superintendente do Iphan no Rio, Carlos Fernando Andrade, o incêndio é uma tragédia.

– A UFRJ e o Iphan estavam tomando todas as providências e, ironicamente, começando com as obras que proporcionariam o aumento da segurança e a eliminação dos riscos do imóvel. A gente não conseguiu ser rápido suficiente –, afirmou.

No momento em que o incêndio teve início havia 33 pessoas trabalhando no local. Não houve feridos.