Após 26 dias sem chuva, Cedae pede controle no consumo

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Publicado segunda-feira, 12 de março de 2007 as 10:34, por: cdb

A estiagem que atinge o Rio chegou às torneiras cariocas. Quem mora em áreas de ponta da rede de abastecimento, como alguns locais da Zona Oeste, da Zona Norte e da Baixada, já sofre com falta d’água. Não chove há 26 dias na cidade e a Cedae precisou aumentar em 50% as manobras realizadas para equilibrar a oferta do produto na região metropolitana. As equipes 24 horas da empresa receberam reforço de 20% de pessoal para garantir o serviço.

Dois condomínios na Barra da Tijuca, perto do Shopping Downtown, estão recorrendo a carros-pipa. Síndico do condomínio Barra D’Oro, Ivo Albuquerque afirma que, nos últimos dois meses, R$ 40 mil já foram gastos: – É o caos esse calor sem água. Já mandei e-mail até para o governador – diz.

Pelo menos uma rua do Cachambi, Zona Norte, também está prejudicada. Síndica há 18 anos de um prédio na Rua Tenente França, Neuza Machado, 70 anos, contou que os moradores estão há 12 dias sem água. – Está um terror. Aqui para a região, cada caminhão-pipa custa R$ 170. Só hoje já vieram quatro. Quero ver se a Cedae vai ressarcir –  indignou-se.

A companhia estadual de abastecimento afirma que o maior problema não é a falta d’água, mas a temperatura alta. Os reservatórios estão em níveis satisfatórios e razão para a falta d’água em pontas de rede é, segundo a direção da empresa, o grande aumento do consumo de água dos cariocas no calor.

Diretor de produção da Cedae, Jorge Luiz Briard afirmou que o Rio Guandu está com vazão de 155 mil litros por segundo, bem acima do mínimo necessário, que é de 119 mil. A captação de água (45 mil litros/s) está normalizada. Só o sistema Acari, que abastece parte da Baixada, já teve perda de produção: de 3,6 mil para 3,3 mil litros por segundo. Nada alarmante, diz Briard.

Apesar da captação regular, como o sistema da Cedae precisa de equilíbrio com a demanda, o uso excessivo e simultâneo da água na região metropolitana reduz a pressão nas pontas do sistema, com reflexo nas torneiras. O desperdício é o maior vilão. Diretor de distribuição e comercialização da Cedae, Armando Costa Vieira Júnior, defende o uso controlado do produto. – Não é racionamento, mas ter um consumo racional no dia-a-dia. Se todo mundo consumisse assim, esse problema não existiria hoje – afirma.

As manobras da Cedae já estão sendo feitas, principalmente à noite, reduzindo a vazão em áreas que, originalmente, não sofreriam perda de pressão. A intenção é reequilibrar o sistema e garantir água em pontas da rede. Quem tem cisterna não sentirá nada. Quem usa a água direto do hidrômetro pode perceber a diferença. Mas ninguém ficará desabastecido, promete a empresa. – Piorar não vai. Nossa curva será ascendente – garantiu Armando.

Um problema para o inverno

A falta de chuva não é só uma preocupação imediata da Cedae, que teme, nos próximos anos, a repetição da seca de 2003, a pior desde 1950. Na época, o abastecimento foi gravemente prejudicado e a companhia chegou a admitir racionamento. Segundo o diretor de produção, Jorge Luiz Briard, foi uma sucessão de estiagens em março que levou, num período de três anos, àquela situação extrema.

Briard explica que a chuva, nesta época do ano, é importante porque a água infiltra o subsolo e prepara o terreno para suportar a estiagem natural que ocorre de junho a setembro.

O Corpo de Bombeiros também tem motivos para se preocupar. O intenso calor tem dado trabalho à corporação. A temperatura média dos últimos dias tem sido 35ºC, com máxima de 40ºC. Do início do ano até este domingo, 1.238 incêndios foram registrados.

Chuva só quarta-feira

Segundo o Inmet, a estiagem deve permanecer até quarta-feira, quando há chances de chuva. O instituto afirma ainda que o calor só deve dar trégua ao carioca na próxima sexta-feira, com uma frente fria.