Apoio à guerra no Iraque é cada vez menor

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Publicado domingo, 1 de janeiro de 2006 as 23:46, por: cdb

O apoio à guerra de George W. Bush tende a diminuir ainda mais este ano. O número de países que fornecem tropas para servir no Iraque, como parte da coalizão liderada pelos Estados Unidos, está diminuindo e alguns aliados importantes dos norte-americanos anunciaram planos de manter um número reduzido de homens. Isso no momento em que os EUA pretendem diminuir sua força de 155 mil soldados, segundo o número de 15 de dezembro, na eleição parlamentar iraquiana, e pensa em cortes maiores em 2006.

Já o número de pessoal de segurança iraquiano treinado pelos EUA vem crescendo e está em 223 mil, de acordo com o Pentágono. Há 20 mil tropas estrangeiras de cerca de 20 países fora os EUA. O maior contingente é da Grã-Bretanha, 8.500, no sul do Iraque. O número de países com tropas chegou a 38 na guerra que os EUA lançaram em março de 2003 para derrubar o governo de Saddam Hussein. Depois de EUA e Grã-Bretanha, os maiores contribuintes da invasão ao Iraque são Coréia do Sul, com 3.200 soldados; Itália, com 2.900; e Polônia, com 1.500.

Nos últimos dias, Coréia do Sul e Polônia anunciaram plano de reduzir seus efetivos. Ucrânia e Bulgária já retiraram suas últimas tropas.

– Obviamente cada vez que há enfraquecimento da coalizão, é ressaltada a falta de apoio internacional para a missão dos EUA. E internamente levanta o problema de que, em vez de ver uma força internacional, os iraquianos sempre vêem tropas dos EUA. Isso levanta muitas questões sobre se os EUA vão sair de lá – disse o analista de defesa Anthony Cordesman, do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais.

Cerca de 2.180 soldados dos EUA morreram em combates com insurgentes iraquianos.

Sem compromisso

O Pentágono argumenta que a redução de parceiros reflete o progresso no Iraque e que as forças iraquianas estão cada vez mais responsáveis pela segurança interna.

– A coalizão não está diminuido em apoio ou compromisso com a missão no Iraque. Alguns países, assim como os EUA estão ajustando o comprometimento de tropas dentro do Iraque. A decisão de cada país sobre a natureza e tamanho de sua contribuição é resultado de seus processos políticos soberanos, mas também é necessário considerar as condições no Iraque. E uma das condições primárias é a enorme melhoria do maior contingente de força de segurança no Iraque — os próprios iraquianos – disse o tenente-coronel Barry Venable, porta-voz do Pentágono.

O analista de defesa Daniel Goure, do Instituto Lexington, disse que alguns países estão reagindo não somente à opinião pública em seus territórios, mas também à erosão do apoio público nos EUA à guerra.

– Eles não querem estar na frente se os EUA estão em processo de retirada. Eles não podem ser os últimos que vão ficar no Iraque – disse Goure.