Apoio à comissão para fiscalizar canteiros

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Publicado quarta-feira, 30 de março de 2011 as 14:06, por: cdb

Gilberto Carvalho, centrais e empreiteiros em reunião 

 

Interessante, e merece todo apoio, a proposta aprovada na reunião de ontem no Palácio do Planalto entre governo, centrais sindicais e empreiteiros, de constituição de uma comissão tripartite formada por representantes das três áreas para atuar, acompanhar e fiscalizar os canteiros de hidrelétricas, das demais grandes obras de infraestrutura, e do conjunto do PAC.

Eu acho que a proposta, e mais avanços possíveis de serem conquistados na nova reunião programada para amanhã, dão um bom encaminhamento inicial à questão. Podem por um fim no movimento que mantém 80 mil trabalhadores de hidrelétricas e de outras grandes obras paralisados em diversos Estados, entre os quais, Rondônia, Pernambuco e Ceará.

Não há reparos a fazer a pauta apresentada na 1ª reunião pelas 10 centrais sindicais que dela participaram: o fim da ação dos famigerados “gatos” – atravessadores que aliciam trabalhadores para as grandes obras; acompanhamento e controle de preços do comércio nas imediações destas; salário igual para trabalhadores do mesmo canteiro; suspensão de dinheiro do BNDES para empreiteiras que cometam irregularidades; fiscalização sindical.

Boa pauta é um roteiro para as negociações

Mas, vejo dois problemas nessas negociações intensificadas desde ontem: que não se tenha fechado, ou avançado na idéia de um pacto em torno dessas reivindicações, quando a necessidade de uma solução rápida é premente; e o fato dos representantes das empreiteiras não reconhecerem a gravidade do problema.

Pelo contrário, vi o representante da Comissão Brasileira da Indústria da Construção Civil (CBIC), Paulo Safady Simão, minimizando na TV e nos jornais a gravidade da situação, afirmando que não existe propriamente um problema porque a  área absorve 2,5 milhões de trabalhadores e “só” 80 mil estão parados.

São declarações desse tipo que, com certeza levaram o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique, a rebater, hoje no jornal Brasil Econômico: “Não interessa se tem 1, 20, 30 ou 50 mil trabalhadores em condição indignas. Nós, das centrais, não estamos falando de ouvir falar. Estamos falando porque fomos até Jirau e Santo Antônio e tivemos um diagnóstico grave” (leiam post abaixo).

 

Foto: Rafael Alencar/ PR