Apesar da melhora, Brasil continua vulnerável

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Publicado segunda-feira, 31 de março de 2003 as 16:49, por: cdb

A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) elogiou nesta segunda-feira o início do governo de Luiz Inácio Lula da Silva por ter “anunciado reformas econômicas críveis”, mas ressalta que “o Brasil continua vulnerável porque a dívida é ampla e, em boa parte, vinculada a taxas de juros de curto prazo ou ao câmbio”.

No relatório “Tendências Financeiras”, a entidade afirmou que a recuperação dos ativos dos mercados emergentes nos últimos meses deve-se em boa parte ao Brasil, onde “as incertezas sobre o resultado das eleições presidenciais terminaram numa avaliação mais positiva do presidente Lula.

Argentina

A OCDE, que reúne as maiores potências econômicas do mundo e está sediada em Paris, disse que a economia argentina ainda está sofrendo com a crise cambial e o calote na dívida. Mas a alta de 116% da bolsa de Buenos Aires desde meados do ano passado até o início de março “reflete uma visão mais positiva do potencial da economia, que recentemente foi reforçada por uma perspectiva promissora para as negociações sobre a dívida envolvida no default (calote)”.

Guerra

A OCDE observou que, ao longo dos últimos seis meses, o cenário para “uma apenas modesta recuperação nas maiores economias do mundo parece ter ficado entrincheirado”. A guerra no Iraque e o temor de novos ataques terroristas estão tendo um peso muito forte na confiança dos empresários e dos consumidores. “Os sinais sobre quando uma recuperação irá ocorrer são mistos”, disse.

De acordo com os estudos da organização, a economia norte-americana parece ter iniciado uma recuperação no final de 2002, mas outros países ricos continuam seguindo numa tendência de baixa. Estimativas de mercado para a elevação do PIB foram revisadas para baixo para os Estados Unidos, mas de forma mais aguda para a União Européia.

Petróleo

Além disso, as expectativas de elevação dos preços do petróleo tiveram o efeito de elevar as estimativas inflacionárias em muitos países. A entidade afirmou que a queda nos índices de confiança dos consumidores e o recente aumento nos pedidos de auxílio desemprego nos Estados Unidos sinalizam uma contenção nos gastos nos próximos meses, um fator que vinha atenuando o impacto da desaceleração econômica norte-americana.

Na Europa, segundo o estudo, deverá ocorrer uma maior desaceleração nos gastos dos consumidores e um aumento da “poupança de precaução”, pois o crescente desemprego vem alimentando o temor de perda de empregos entre a população. Com as empresas vivendo um clima de incerteza, “é questionável se prever quando elas retomarão seus gastos com investimentos, embora sinais recentes dão um tom relativamente positivo”.

A organização ressaltou, no entanto, que a economia européia poderá evitar uma recessão, pois a confiança entre os empresários da Alemanha, Itália e Bélgica, e atividade manufatureira da região cresceram pela primeira vez no período de seis meses encerrado em fevereiro passado.

Segundo a OCDE, apesar das fortes correções negativas que ocorreram nas bolsas de valores internacionais nos últimos meses, ainda não está claro quando a tendência de perdas e as oscilações irão terminar.