Aos escravos não se deve ensinar como abrir os cadeados

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Publicado quarta-feira, 17 de outubro de 2001 as 15:00, por: cdb

Com a Educação e a Cultura, vem a consciência… e com ela, vem a revolta, vem a ação e a reação. Num país aonde… “se gritar pega ladrão”, entre os políticos, não fica um… é óbvio que a Educação Pública deve ser de péssima qualidade – se possível nem existir.

DEUS tenha piedade de nós…

Além de professor, fui bancário por mais de 25 anos e, como ativista sindical, sempre ouvi, quando íamos fazer greve por salários dignos, alguns colegas “babas ovos” (covardes ou ignorantes) dizerem que não
era hora de fazermos greve, naquele momento. Hoje, passados alguns anos, tendo testemunhado a demissão de milhares de bancários, que sob várias desculpas esfarrapadas, imorais e ilegais (PDV sob chantagem /
aposentadorias forçadas / demissões sumárias) foram descartados como “lixo” pelos bancos, fico pensando… se agora seria a hora? Há 500 anos, no Brasil, os Políticos desprezam a Educação Pública e agora, quando os trabalhadores das Universidades Federais não podem mais nem pagar o ônibus para ir trabalhar, alguns os criticam… alegando que “ainda” não é a hora de se fazer greve. Se os trabalhadores fossem unidos e se tivessem um por cento de organização e liderança, o Brasil inteiro ia parar imediatamente – numa greve geral – para entre outras reivindicações pedir/exigir: comida
para comer, água para beber, casa para morar, segurança para sobreviver, emprego para um mínimo de dignidade, esperança no futuro para não desistir e nem pensar em se matar…

Deus tenha piedade de nós…

Deus tenha piedade dos grevistas na Educação, pois para nossa desgraça e deles, o Governo FHC está adorando a paralisação. Na véspera das eleições gerais, a falência total da educação pública e o extermínio dos professores é um excelente negócio – para os péssimos, omissos e criminosos políticos e para os candidatos políticos – aliados, cúmplices, sócios e responsáveis por todos os nossos gravíssimos problemas. O Ministro Paulo Renato está fazendo o papel de “boi de piranha”, assumindo todo o desgaste político, com a
falência da Educação e massacre dos professores, para deixar livre o caminho dos seus “colegas, sócios e amigos”.

*Claudio M. Souto é advogado e leitor do CORREIO DO BRASIL