Antiga Galeria Nacional comemora 150 anos em Berlim

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado sábado, 26 de março de 2011 as 06:35, por: cdb

O Romantismo marca a história da Alemanha até hoje. Para comemorar seu 150º aniversário, a Antiga Galeria Nacional (Alte Nationalgalerie) em Berlim mostra pela primeira vez as obras que deram origem ao acervo.

A partir desta semana, estão sendo mostradas 140 de um total de 262 obras de arte que pertenciam ao banqueiro Joachim Heinrich Wagener. Ele as presenteou ao rei da Prússia com o pedido de que fosse criada uma Galeria Nacional, o que se tornou realidade pouco depois do falecimento do banqueiro em 1861.

“Em nenhum outro lugar se pode ver a arte contemporânea da época em uma dimensão tão ampla”, disse o diretor do museu, Udo Kittelmann, pouco antes da abertura da exposição. “Assim podemos escrutinar mais uma vez aquele tempo com os nossos olhos.”

Espírito liberal

Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Obra de Schinkel é destaque da exposiçãoDesde o início do século 19, discutia-se a criação de uma Galeria Nacional. Em 1815, o apaixonado colecionador Wagener começou a comprar obras de arte, concentrando-se em pintores ainda vivos, com o objetivo de formar um acervo para esse fim.

Ele matinha contato com os artistas e os encorajava em relação à pintura e aos temas. Sua primeira aquisição foi o quadro Igreja gótica sobre rochedo à beira do mar (1815), que ele comprou pessoalmente de Karl Friedrich Schinkel, um dos destaques da exposição.

As obras do acervo de Wagener são ricas em cores, narrativas e temas. Paisagens românticas, pinturas de gênero e retratos burgueses fazem parte da coleção. Faltam obras de arte acadêmicas e pinturas do grupo Nazareno. Isso mostra que o interesse de Wagener era aparentemente liberal. Cenas em tavernas, sobre ladrões, caçadores e prisioneiros estavam entre as predileções pessoais do colecionador.

Pedido especial ao rei

Quando Wagener morreu em 18 de janeiro de 1861, ele deixou seu acervo e um desejo cortês, mas bastante assertivo ao rei: “Em especial, deixo à mais alta ponderação se não seria o caso de que o acervo seja ampliado, a fim de transformar-se em uma Galeria Nacional”.

Pouco tempo depois, no dia 22 de março do mesmo ano, foi aberta a primeira exposição no antigo prédio da Academia Unten den Linden. Com a ampliação do acervo, 15 anos mais tarde, a Galeria Nacional ganhou um prédio próprio na Ilha dos Museus em Berlim. O arquiteto foi Friedrich August Stüler, um aluno de Schinkel.

Com a divisão da Alemanha, após a Segunda Guerra Mundial, uma Nova Galeria Nacional foi erguida em 1968 na parte ocidental de Berlim, projetada pelo arquiteto alemão Ludwig Mies van der Rohe.

Origem burguesa

Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Caspar David Friedrich são marca Romantismo alemãoDas 262 obras originais, cerca de 140 estão em exposição, muitas das quais permaneceram adormecidas no depósito durante o último século. Apenas 25 obras fazem parte da mostra permanente da Galeria. E muitas delas voltarão para o depósito.

“Nós apreciamos o fato de essa coleção ser originária de um espírito burguês liberal, e isso se pode perceber”, diz a curadora Angelika Wesenberg. Sua colega Birgit Verwiebe completa, em alusão a Wagener: “Uma vida completa – com um fim maravilhoso para nós todos”.

A exposição A coleção do banqueiro Wagener. A fundação da Galeria Nacional vai até 8 de janeiro de 2012 na Antiga Galeria Nacional, na Ilha dos Museus, em Berlim.

FF/dpa/epd
Revisão: Carlos Albuquerque