Anistia Internacional critica ocupação no Conjunto do Alemão no Rio

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Publicado quinta-feira, 26 de outubro de 2006 as 17:50, por: cdb

A Anistia Internacional divulgou uma nota, nesta quinta-feira, afirmando que mulheres e crianças continuam sendo assassinadas no Rio de Janeiro e que as autoridades fazem pouco ou nada em relação a isso. A entidade pede ainda que as autoridades investiguem todos os incidentes de violência, intimidação e prejuízos a propriedades durante a ocupação no conjunto de favelas do Alemão, citando a morte de Alice Bertock da Silva, de 64 anos, vítima de uma bala perdida de fuzil nesta terça-feira, durante um confronto entre policiais e traficantes.

A nota, intitulada “Brasil: mais civis mortos”, relata a agonia dos últimos minutos de vida da idosa, descrevendo que ela foi morta enquanto tentava, desesperadamente, proteger seus dois bisnetos da troca de tiros, mas acabou sendo atingida por uma bala que perfurou a parede e atingiu o seu peito. A Anistia aponta Alice como última vítima das duas semanas de operação da polícia no Complexo do Alemão, para capturar traficantes, e denuncia o tratamento dispensado pelos policiais aos moradores:

A nota diz que “durante a operação, os moradores queixam-se de ameaças, intimidações, surras e prejuízos. Ocorrem incursões precipitadas de veículos blindados, conhecidos como caveirões”.

Mais adiante, a Anistia afirma que, em algumas comunidades do Alemão, a polícia estaria cortando o abastecimento de água e de eletricidade, além de impor os horários que moradores devem sair para trabalhar e as crianças devem ir para a escola: “moradores reclamam de estarem sendo ‘tratados como criminosos’ pela polícia e de serem intimidados a deixarem suas casas”.

Através do documento, a Anistia denuncia o uso excessivo de força da polícia e a brutalidade no tratamento aos moradores e pede, ainda, que a Justiça investigue todos os incidentes de violência nas favelas do Alemão e afirma que a operação é discriminatória contra as comunidades pobres. A nota cita que, desde setembro, quatro crianças foram mortas durante operações da polícia e uma outra, de 7 anos, foi atropelada pelo carro da polícia em Vigário Geral.

A nota da Anisitia Internacional deixa clara sua indignação ao dizer que ” é hora de colocar um fim na política pública de segurança que põe em risco a vida de todos os moradores de comunidades pobres do Rio e nada faz para combater o crescimento crimes relacionados com o tráfico de drogas”. E acrescenta que “com a aproximação do segundo turno das eleições para governador e para presidente, os candidatos devem tratar de políticas duradouras no setor”.