Anistia Internacional acusa Israel de cometer crimes de guerra

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Publicado segunda-feira, 4 de novembro de 2002 as 23:28, por: cdb

O grupo de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional acusou, nesta segunda-feira, o governo de Israel de ter cometido crimes de guerra durante uma ofensiva militar nas cidades de Jenin e Nablus, na Cisjordânia, no início do ano. Entre as violações estariam incluídas execuções sumárias.

Militares de Israel alegaram que a ofensiva foi lançada por motivos de defesa, em resposta a ataques suicidas palestinos contra civis israelenses.

Em seu relatório, a Anistia Internacional afirmou haver “clara evidência de que alguns dos atos cometidos pelas Forças de Defesa de Israel durante uma operação em que mais de 20 civis morreram foram crimes de guerra”.

A entidade de defesa dos direitos humanos escreveu que houve “assassinatos ilegais, tortura e maus-tratos aos prisioneiros, destruindo arbitrariamente centenas de lares”. O grupo também acusou homens-bomba palestinos de crimes contra a humanidade.

O último relatório denuncia que os soldados bloquearam o acesso de ambulâncias, negaram assistência humanitária, deixando mortos e feridos jogados nas ruas durante dias, e usaram os palestinos como “escudos humanos” enquanto procuravam por militantes suspeitos.

“Até agora, as autoridades israelenses falharam em sua responsabilidade para fazer justiça com aqueles que perpetraram sérias violações dos direitos humanos”, afirma o relatório.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel, Daniel Taub, acusou a Anistia Internacional de ignorar as razões para as incursões militares. “O relatório descreve Israel como tendo ido à Cisjordânia como se isso tivesse acontecido num vácuo”, disse Taub.

“Realmente, há dilemas aqui para qualquer democracia”, disse Taub, que acusou guerrilheiros palestinos de usarem bairros residenciais e ambulâncias para cobertura durante o combate.

O relatório da Anistia Internacional diz que mais da metade dos palestinos mortos em Jenin era de civis, mas não deu números específicos. Ao menos 16 das 80 pessoas mortas em Nablus eram mulheres e crianças, segundo a entidade.

O ex-chanceler israelense Shimon Peres alertou contra dar muito valor ao relatório. “A Anistia é uma organização que tenta criar… um mundo melhor, mas não é uma corte nem juizes”, reagiu.

O líder palestino Yasser Arafat classificou o relatório como “muito importante” e exortou a comunidade internacional a acabar com a ocupação militar israelense em áreas palestinas.

Israel lançou a ofensiva na Cisjordânia em 29 de março, depois que um homem-bomba palestino matou 29 israelenses. Jenin foi o local dos mais duros combates; 52 palestinos e 23 soldados israelenses morreram.

“Esta infra-estrutura terrorista foi estabelecida no coração de uma população palestina inocente, que serviu como cobertura”, alegou o Exército em comunicado.

Israel sustentou que intensos combates às vezes impedem que as ambulâncias cheguem aos feridos, e que em um caso, no mês passado, foi descoberto um cinturão de explosivos dentro de uma ambulância palestina que transportava uma criança doente.

Kathleen Cavanaugh, pesquisadora da Anistia Internacional, disse que o tenente Shaul Mofaz, que esta semana assumirá como o novo ministro da Defesa de Israel, podia ser acusado de crimes de guerra por seu papel como chefe do Estado-Maior do Exército durante as incursões.

O secretário do gabinete palestino Ahmde Abdel Rahman aplaudiu as acusações do relatório contra Israel.

“O Conselho de Segurança da ONU e as partes que assinaram as convenções de Genebra deveriam usar este relatório como prova dos crimes de guerra cometidos pelo governo israelense contra o povo palestino e agir imediatamente para punir o governo Sharon”, disse Rahman.

A ONU investigou o combate de Jenin depois que os palestinos alegaram que Israel tinha cometido um massacre no campo de refugiados. A organização determinou que não havia evidências para apoiar as queixas dos palestinos, acrescentando que tanto as forças israelenses quanto os mili