Anistia acusa os EUA de maltratarem crianças imigrantes

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Publicado quarta-feira, 18 de junho de 2003 as 18:06, por: cdb

Os Estados Unidos detêm por ano, às vezes sob condições desumanas e sem auxílio jurídico, mais de 5.000 crianças que tentam entrar no país sozinhas e sem vistos, disse nesta quarta-feira a organização Anistia Internacional.

Algumas dessas crianças são encarceradas como criminosas. Obrigadas a se despir, elas são algemadas e submetidas a abusos físicos, o que viola uma decisão judicial de 1985 que garante às crianças sob custódia do Departamento de Imigração um tratamento “digno, com respeito e especial preocupação a suas vulnerabilidades”, disse a Anistia em um relatório divulgado em Miami e outras cidades.

Em alguns casos, essas crianças são enviadas por seus pais para se juntar a parentes que já estão nos EUA. Outras fogem de abusos, guerras e recrutamento por guerrilhas, de acordo com a Anistia.

– Elas vêm a este país em busca de liberdade, mas em vez disso enfrentam abusos, prisões e negligência por parte das autoridades – disse Ajamu Baraka, diretor regional da Anistia no sudoeste dos EUA.

– Elas são obrigadas a comparecer ante um juiz para se defender, muitas vezes em uma língua que não entendem – afirmou Baraka.

O Departamento de Imigração não quis se manifestar sobre o relatório, feito a partir de entrevistas com crianças e advogados e de pesquisas em 115 instalações que mantêm sob custódia menores que aguardam decisões sobre asilo.

Entre as 33 instalações que responderam à pesquisa, 48% disseram que mantêm menores nas mesmas celas de delinquentes juvenis, e que mais da metade desses locais usa o confinamento solitário como forma de punição. As algemas (ou instrumentos semelhantes) são usadas em 83 dos centros de detenção quando os menores precisam se deslocar para audiências ou consultas médicas. Elas são empregadas como punição em 30% dos lugares.

Só 35% dessas instalações disseram à Anistia que costumam informar o motivo da detenção e os direitos jurídicos às crianças, disse a Anistia.