Anfarmag faz mais amplo estudo sobre remédios de manipulação

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Publicado segunda-feira, 17 de janeiro de 2005 as 22:03, por: cdb

Os dermatologistas não dominam mais o espaço nas farmácias de manipulação. O maior estudo já realizado pela Associação Nacional das Farmácias Magistrais (Anfarmag) mostra que médicos de outras especialidades, como cardiologistas infectologistas, geriatras, endocrinologistas e psiquiatras, hoje são responsáveis por cerca de 80% das receitas de remédios de manipulação. O trabalho, previsto para terminar daqui a seis meses, consiste em analisar detalhadamente as receitas médicas que chegam a esse tipo de farmácia (também chamadas de magistrais) por meio dos pacientes.

De acordo com o geriatra e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Medicina de Família, Sarkis Joub Bayeh, que passou a prescrever esses medicamentos há poucos anos, a entrada de novos tipos de profissionais tem relação com a chamada humanização da medicina. “O remédio de manipulação, assim como a medicina humanizada, é feito sob medida, atendendo às necessidades de cada organismo”, diz ele. De fato, a maioria dos remédios de laboratórios feitos para consumidores com mais de 40 quilos tem a mesma dosagem. “A adequação da dose em alguns pacientes, principalmente em idosos, é fundamental para o tratamento.”

Outra vantagem do remédio de manipulação, segundo médicos, é a possibilidade de se associar mais de um princípio ativo em uma só embalagem. “Isso aumenta a adesão do paciente a tratamentos mais prolongados”, diz o infectologista Paulo Monteiro da Silva, da Clínica Médica da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Segundo o infectologista, a entrada do medicamento genérico no mercado brasileiro na década de 90 contribuiu para o fortalecimento do remédio de manipulação. “Os pacientes tinham preconceito com remédios que não tivessem grife e o genérico entrou para acabar com esse mito”, afirma ele. “Hoje, nenhum paciente meu toma Prozac, por exemplo. Receito quantidades individualizadas de fluoxetina (princípio ativo do Prozac). Tenho um paciente, por exemplo, que respondeu de maneira excelente ao tratamento, consumindo a metade da quantidade vendida no mercado.”

O microempresário Ortis de Oliveira, 58 anos, começou a tomar remédios manipulados há dois anos. “Tomo para pressão alta, reumatismo e circulação, cada um receitado por um médico”, conta ele. “Gostei porque minha pressão só diminuiu quando troquei os remédios tradicionais por eles.”

Não são todos os remédios de manipulação que são mais baratos que os fabricados pelos laboratórios. “Em geral, aqueles fabricados em larga escala, como a dipirona (analgésico), custam menos que os manipulados”, explica Vânia Regina de Sá, presidente da Anfarmag.

A insegurança do medicamento manipulado é outro mito que vem sendo combatido pela classe médica. “Claro que há riscos, mas eles são os mesmos de qualquer medicamento. Os antiinflamatórios de última geração e de grandes laboratórios não deram problemas?”, diz o geriatra Bayeh. “O de manipulação tem a garantia de trazer o CRM (número de inscrição nos Conselhos de Medicina) do médico e o nome do paciente na embalagem. Nas bulas dos remédios de laboratório vem um CRM de um médico que o consumidor nem sabe quem é.”

Nem todos os princípios ativos podem ser manipulados. Além daqueles que não tiveram suas patentes quebradas, não podem ser manipulados os imunossupressores (para evitar a rejeição de transplantes de órgãos) e os anti-retrovirais (antiaids). “Eles são distribuídos por meio de programas de governo”, explica Vânia.

Só médicos e dentistas podem receitar um remédio de manipulação. “Nutricionistas podem apenas formular suplementos alimentares”, explica Vânia. As farmácias de manipulação ganharam uma resolução própria (RDC número 33) na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), com normas de funcionamento, em abril de 2000. “Para o consumidor, o mais importante é verificar se o estabelecimento tem registro no Ministério da Saúde”, diz Vânia. A própria Anfarmag criou um manual para o consumidor, com dica