Amorim eleva o tom na resposta às críticas da Bolívia

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado terça-feira, 24 de outubro de 2006 as 13:05, por: cdb

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou nesta terça-feira ter certeza de que a Petrobras não trabalha de forma fraudulenta na Bolívia. Segundo o ministro, que participou da cerimônia de abertura das comemorações dos 61 anos da Organização das Nações Unidas (ONU), a Petrobras “é uma empresa que nos orgulha muito”. Amorim afirmou que “é muito fácil falar, o difícil é comprovar”, referindo-se às acusações do governo boliviano de que empresas multinacionais que exploram os recursos minerais naquele país, entre elas a Petrobras, agem de forma fraudulenta. Segundo a denúncia boliviana, essas empresas superfaturavam os preços dos hidrocarbonetos.

Sobre o prazo dado pelo governo boliviano para consolidar a nacionalização de ativos e reservas da Petrobras naquele país, o chanceler disse que o Brasil quer conversar e encontrar uma solução mutuamente benéfica:

– O tom do Brasil é o do diálogo, com defesa firme de seus interesses. E essa defesa firme tem que ser entendida em um contexto benéfico para os dois países.

Segundo Amorim é necessário entender que o contexto político e social em que as empresas foram se estabelecer na Bolívia era outro.

– Isso é um fato real, mas temos que pensar também que não pode haver decisões unilaterais e arbitrárias – disse.

Neste sábado, termina o prazo para a implementação do decreto assinado em 1º de maio pelo presidente Evo Morales, de reestatização do setor no país, e ainda não houve acordo com as empresas estrangeiras que atuam atualmente na Bolívia. O decreto prevê a transferência das reservas e dos ativos das empresas estrangeiras, que passariam a ser apenas prestadoras de serviços, para a estatal boliviana. A Petrobras e a YPFB, a estatal boliviana, também negociam, a pedido do governo boliviano, reajuste para o gás importado pela estatal brasileira para suprir a demanda interna.