Amorim: ‘Brasil pode mediar paz na Colômbia’

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Publicado quinta-feira, 18 de setembro de 2003 as 10:25, por: cdb

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse que o Brasil não pretende ser mediador entre as negociações de paz entre as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), o governo colombiano e a Organização das Nações Unidas (ONU), a não ser que seja convidado para tomar esta posição.

“O Brasil está disposto a contribuir, desde que isso seja solicitado”, disse em entrevista ao telejornal “Bom Dia Brasil”. Amorim, que afirmou ter ido três vezes à Colômbia em um curto espaço de tempo, disse que foi a ONU que sugeriu que o Brasil fosse palco das negociações entre as Farc e o órgão internacional, o que mostraria a nova visão diplomática pela qual o País passou a ser visto no mundo. “Nós não estamos tomando uma posição protagônica (com relação à Colômbia)”, garantiu.

O ministro admitiu que a reunião para ajudar a estabelecer a paz na Colômbia tem riscos, mas que eles devem ser enfrentados pelo governo. Para o ministro, o fato de o Brasil aceitar o convite da ONU para dar espaço à reunião demonstra efetivamente que o País quer apoiar a entidade. O local do encontro ainda não teria sido determinado, ainda que a imprensa colombiana tenha informado que Manaus seria o local escolhido.

Sobre o papel da ONU no mundo atual, no qual, notoriamente, os Estados Unidos se afirmam como potência mundial e “polícia do mundo”, Amorim diz que quem tem que assumir a função pacificadora é a ONU. “Não é por ser os Estados Unidos (a querer tomar essa posição). Qualquer outro país que assuma essa função estará criando problemas para si próprio e não estará ajudando a resolver os problemas mundiais.”

Amorim disse que a posição de apoio com relação à ONU é claríssima, mesmo após o ataque terrorista que matou o alto comissário Sérgio Vieira de Melo, em Bagdá.

Diplomacia e comércio exterior

Com relação à reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC) em Cancún, no México, Amorim disse que “foi melhor ter chegado a esta situação (sem os países em desenvolvimento terem obtido resultados práticos) do que ter um acordo excessivamente modesto e esperar 15 anos para uma nova rodada de negociações”. Ele disse que o Brasil seguirá mantendo o diálogo e a unidade do Grupo dos 22 para vencer barreiras comerciais e subsídios agrícolas de países ricos.

Amorim diz que não se pode separar economia de política e ressaltou que, se não fosse a diplomacia e a articulação política internacional, as atuais discussões na OMC não seriam possíveis.