Amorim: ‘A Alca deve ser pensada em termos realistas’

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Publicado quarta-feira, 2 de julho de 2003 as 21:08, por: cdb

As negociações para a criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) devem ser pensadas, de uma forma geral, em termos realistas. Realista na questão dos prazos que foram anteriormente previstos, e ambiciosas na área de acesso a mercados.

As declarações foram feitas nesta quarta-feira pelo ministro das Relações Exteriores, embaixador Celso Amorim, na abertura da XXXVI Reunião da Seção Nacional de Coordenação dos Assuntos Relativos a Alca (Senalca).

– Os conteúdos das questões ainda controversas nas negociações da Alca devem ser mais importantes que os prazos que foram estipulados para a sua adoção – afirmou o chanceler.

Amorim disse que da maneira como as negociações estavam sendo conduzidas, as partes envolvidas estavam sendo forçados a fazer compromissos antes do esclarecimento de muitas controvérsias.

De acordo com as primeiras estimativas, em fevereiro último já estariam sendo feitas ofertas de serviços, de compras governamentais e novas ofertas de investimentos.

– Nada disso ocorreu. Então é preciso ver a questão dos prazos junto com os conteúdos – reiterou Celso Amorim.

– Se for possível concretizar uma Alca, que eu não chamarei necessariamente de light ou diet, ou que o valha, mas que seja realista e ao mesmo tempo ambiciosa, estaremos realizando aquilo que o presidente Lula determinou, ou seja, uma negociação soberana, levando em conta também a existência de nossos parceiros do Mercosul e nossos interesses mais amplos na América do Sul – disse o embaixador.

O ministro Celso Amorim lembrou que o presidente Lula foi bastante claro quando afirmou que o Brasil não tem preconceito ideológico para negociar, desde que se mantenham espaços de flexibilidade para a política interna do país.

– Agora queremos que nossos direitos sejam preservados – ressaltou Celso Amorim.

O chanceler disse que a postura do governo brasileiro tem sido reconhecida pelos Estados Unidos, lembrando que o representante comercial do governo norte-americano, Robert Zoellick, quando esteve no Brasil no final de maio, chegou falando em um “enfoque pragmático, mesmo porque sem o Brasil não há sentido ter Alca”.