América Latina tem 20 milhões a mais de pobres do que há cinco anos

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Publicado quinta-feira, 7 de novembro de 2002 as 16:37, por: cdb

O aumento dos desequilíbrios sociais e o esgotamento das economias têm empobrecido a sociedade latino-americana de maneira escandalosa. Em apenas cinco anos, o número de pobres aumentou em 20 milhões. E, se a situação não der uma volta de 180 graus, ainda poderá piorar. As palavras de alarme são da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), das Nações Unidas, a qual adverte que o recesso não é igual em todos os países da região.

Diante dos objetivos da Cúpula do Milênio, que prevê reduzir a pobreza extrema para a metade em 2015, “a América Latina e o Caribe começaram o século XXI em meio a evidentes contrastes. A região conseguiu avanços importantes em sua inserção internacional, um maior controle dos desequilíbrios macro-econômicos internos e elevação do gasto público social”, afirma o secretário executivo da CEPAL, José Antonio Ocampo. “Ainda assim, os ritmos de crescimento baixos e a vulnerabilidade diante dos choques vindos da economia mundial continuam elevados”.

O número de pobres na América Latina ronda os 44%, o que, segundo a CEPAL, significa que, nos últimos anos, “cerca de 20 milhões de pessoas somaram-se à população pobre” da zona. O período de recessão começou em 1997, como reflexo da crise asiática e após vários anos de estabilidade, nos quais o número de pobres se manteve “em torno de 200 milhões de pessoas”, destaca Ocampo. Estas pessoas não conseguiram se beneficiar do crescimento dos seus países nos primeiros sete anos da década de 90.

Atualmente, Chile e Panamá são os países com melhores perspectivas e, se continuarem assim, completarão a meta de reduzir para a metade os níveis de pobreza extrema em 2015. Em seguida, vêm Brasil e República Dominicana, Costa Rica, El Salvador, Guatemala e México, também candidatos a cumprir com os propósitos da Cúpula do Milênio. Mas o panorama é “mais complexo” na Colômbia, Equador, Paraguai, Venezuela e Argentina, cujos níveis de pobreza extrema “excedem” os de 1990. Neste contexto, um dos poucos dados positivos é a incorporação da mulher no mercado de trabalho, aumentando a renda familiar.