América Latina crescerá menos de 2 por cento em 2003, diz BID

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Publicado segunda-feira, 24 de março de 2003 as 16:13, por: cdb

A economia latino-americana crescerá este ano entre 1,5 e 2 por cento, apesar da tensão internacional e das crises nacionais, segundo as previsões do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que abriu sua assembléia anual hoje, segunda-feira, em Milão.

Na sessão inaugural, o presidente do banco, Enrique Iglesias, afirmou que a queda do produto regional bruto de 0,5 por cento registrado no último ano inverterá sua tendência em 2003.

A previsão de crescimento para este ano parte da premissa de que os conflitos internacionais não se acentuarão, ainda que prejudiquem a economia mundial. E, se a tendência for positiva e se mantiver, em 2004 a taxa de crescimento no continente poderá chegar a 4 por cento, segundo Iglesias.

O presidente do banco ressaltou, porém, que uma reativação desse tipo seria insuficiente para reduzir consideravelmente a pobreza, que já afeta 44 por cento da população da América Latina e do Caribe.

Por isso, para uma maior incidência, a renda per capita deveria crescer a uma média anual de pelo menos 2,7 por cento durante os próximos 15 anos.

Em seu pronunciamento, Iglesias recomendou aos Governos latino-americanos e caribenhos que implementem uma agenda favorável ao desenvolvimento com respeito ao equilíbrio macroeconômico, levando-se em conta os aspectos sociais, impulsionando o comércio externo, aumentando a integração social e estimulando o setor privado, com especial apoio às pequenas e médias empresas.

Iglesias alertou para o fato de que muitos países da região mantêm uma dependência em relação ao capital externo em vez de incentivarem a economia interna, o que os deixa mais vulneráveis à situação financeira internacional.

Além disso, afirmou que as reformas empreendidas nem sempre se ajustam ao contexto local ou são aplicadas sem consistência ou bons acordos de supervisão e regulamento.

A corrupção e as práticas equivocadas nas empresas privatizadas fizeram cair o apoio popular, que sempre é importante para que as reformas sejam bem-sucedidas, disse Iglesias, garantindo que o BID apoiará os países que tomam empréstimos.

Em relação ao futuro imediato, Iglesias disse que “nos próximos dois anos será preciso tomar decisões que marcarão a América Latina para décadas”. Nesse sentido, destacou a nova rodada de negociações da Organização Mundial do Comércio e os contatos para acordos tanto com os Estados Unidos como com a União Européia.

Iglesias uniu sua voz à de numerosos governantes da região para que os países desenvolvidos acabem com o protecionismo agrícola, prejudicial para a América Latina.