Aliados tentam dispersar resistência iraquiana a leste de Mossul

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Publicado domingo, 30 de março de 2003 as 16:51, por: cdb

A aviação aliada intensificou os bombardeios sobre as defesas das tropas iraquianas a leste de Mossul, mais resistentes que as derrotadas pelas forças curdas em sua retirada para o centro petroleiro de Kirkuk.

Quatro dias de intermitentes ataques aéreos bastaram para obrigar os iraquianos a abandonar, no último sábado (29), o topo das colinas onde há 12 anos existia a primeira linha de defesa da cidade de Kirkuk.

A retirada em ordem das tropas iraquianas perto de Kirkuk, ação que permitiu à milícia curda penetrar 25 quilômetros em território inimigo, não se repete nas áreas ao norte de Mossul, apesar do forte bombardeio que ocorre há mais de uma semana.

“A retirada dos soldados iraquianos é tática, tomar Kirkuk vai ser difícil, ainda mais Mossul”, declarou o general curdo Abdulla Sherjo, um dos oficiais da milícia com formação acadêmica militar.

Durante a noite do último sábado (29) e a madrugada deste domingo, os aviões aliados voltaram a atacar lugares próximos à cidade de Mossul, cerca de 450 quilômetros ao norte de Bagdá.

Assim como nos últimos dias, o ataque aéreo teve como alvos bases militares iraquianas situadas a centenas de metros da linha que separa a região autônoma do norte do Iraque do restante do país.

Os aviões, segundo o comandante curdo Abu Saleh, apareceram cinco vezes e dispararam mísseis sobre instalações militares iraquianas situadas nas cercanias da cidade de Kalak, que foi abandonada por seus habitantes e que está cerca de 40 quilômetros a leste de Mossul.

A proteção da região que cerca Mossul, cidade onde vivem cerca de 300.000 pessoas, está sob responsabilidade da V Divisão do Exército iraquiano, enquanto a defesa da cidade em si está nas maõs de uma divisão da Guarda Republicana e de um destacamento da Guarda Especial.

Ao longo dos 55 quilômetros da frente de Mossul, os combatentes curdos permanecem em seus postos, onde esperam a chegada de mais reforços.

Embora os comandantes militares curdos achem que, por enquanto, não há condições apropriadas para avançar até Mossul, eles dizem que os bombardeios aliados estão minando o moral das posições iraquianas da primeira linha de defesa.

O PDK, grupo que, com a União Patriótica de Curdistão (UPK), controla a região autônoma do norte do Iraque, disse em um comunicado que cerca de cem soldados iraquianos da frente de Mossul renderam-se às suas forças desde a última quinta-feira (27).

Oficiais do PDK disseram no último sábado (29), em Arbil, capital da região autônoma, que 15 soldados iraquianos, surpreendidos quando tentavam desertar, foram executados no dia anterior perto da localidade de Dobardan.

Os arredores dessa cidade, sob controle do governo de Bagdá e cerca de 30 quilômetros ao norte de Mossul, foram severamente bombardeados pelos aviões aliados na semana passada.

Apesar do avanço em direção a Kirkuk, os comandantes curdos acham que levará algum tempo até que as tropas do presidente iraquiano Saddam Hussein tenham diante si uma autêntica frente de batalha no norte do Iraque.

Os cerca de mil pára-quedistas que saltaram na última quinta-feira (27) sobre campos abertos, continuam abrindo trincheiras em torno do aeroporto de Harir. Além disso, pode demorar uma semana até que a maior parte da 173a. Divisão Aerotransportada, integrada por aproximadamente 5.000 soldados, esteja preparada e posicionada no front.