Aliados de Berlusconi criticam demora em aceitar vitória de Proddi

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Publicado quinta-feira, 13 de abril de 2006 as 12:38, por: cdb

Aliados do primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, levantaram dúvidas, nesta quinta-feira, sobre as acusações dele de que as eleições gerais do país tinham sido objeto de fraude, e um parceiro de coalizão chegou a dizer que a reavaliação do processo não mudaria o resultado final. Berlusconi exigiu que as eleições de 9 e 10 de abril, vencidas pelo bloco de centro-esquerda (de Romano Prodi) por uma pequena margem de votos, fossem canceladas devido à prática de “fraudes generalizadas”.

Prodi afirmou ter vencido o pleito legitimamente, mas jornais relataram na quinta-feira que o premiê pode pedir a recontagem de mais de 1 milhão de votos. A indefinição sobre a situação política atingiu os títulos do governo italiano e derrubou a bolsa de valores de Milão. Tentando restabelecer a calma, alguns membros de peso da centro-direita, liderada por Berlusconi, disseram não ter visto nada de excepcionalmente errado com a eleição, a mais disputada da história moderna do país.

– As checagens (de votos) sempre foram feitas, mas não acredito que elas vão mudar o resultado desta eleição – disse Lorenzo Cesa, chefe da União dos Democratas Cristãos (UDC), um dos quatro partidos centrais da coalizão de Berlusconi.

Ignazio La Russa, um nome importante do partido Aliança Nacional (conservador), também se distanciou das acusações de fraude.

– Não tive notícias sobre fraudes. Ouvi notícias sobre irregularidades graves, mas isso não é uma novidade. Elas acontecem em todas as eleições – afirmou La Russa à Radio Popolare, acrescentando, no entanto, que Berlusconi não deveria nunca ser subestimado.

Denúncias

Segundo dados do Ministério do Interior, a centro-esquerda conquistou a câmara baixa do Parlamento com uma vantagem de apenas 25 mil votos em um universo de 38,1 milhões de votos. O premiê recusou-se a reconhecer a derrota e, no começo desta semana, exigiu a reavaliação de 43 mil votos duvidosos não incluídos na contagem final. Na quarta-feira, Berlusconi sugeriu que o problema poderia ser muito maior, afirmando que “60 mil denúncias” de irregularidades em toda a Itália deveriam ser verificadas “uma a uma”.

Segundo a lei italiana, apenas os votos oficialmente registrados como duvidosos podem ser revistos logo depois do pleito. Mas Berlusconi poderia baixar um decreto ampliando esse universo. A medida teria de ser aprovada pelo presidente italiano, Carlo Azeglio Ciampi. O embate cada vez mais acirrado fez surgirem paralelos com a eleição presidencial de 2000 nos EUA, quando George W. Bush foi declarado vencedor depois de uma batalha envolvendo a recontagem de votos na Flórida.

“Neste momento, é difícil não temer um tipo de Flórida italiana, uma confrontação longa e desestabilizadora a respeito da regularidade de mais de 1 milhão de votos”, escreveu o jornal Corriere della Sera.

Os líderes da centro-esquerda acusaram o premiê de alimentar tensões políticas perigosas.

– Berlusconi, pare de envenenar a Itália e de tirar a legitimidade do voto dos italianos – disse na noite de quarta-feira Piero Fassino, chefe do maior partido esquerdista do país, os Democratas de Esquerda.

Queda nas bolsas

O Ministério do Interior, que supervisionou a eleição, disse que pouco mais de 1 milhão de votos deixaram de ser incluídos na contagem final porque foram deixados em branco ou porque foram rasurados. Essa cifra é 60% menor que a registrada na eleição de 2001. Questionado sobre se havia encontrado indícios de fraude nas eleições, o ministro italiano do Interior, Giuseppe Pisanu, respondeu:

– Sem comentários.

Uma checagem de rotina sobre 43 mil votos duvidosos é realizada por autoridades judiciais e deve ser concluída até esta sexta-feira. O premiê afirmou que a revisão pretendida por ele duraria “vários dias” para terminar. O índice da bolsa de valores de Milão para ações de primeira linha caía 0,4% às 8h30 (hor