Alencar critica novamente política econômica do governo

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado segunda-feira, 15 de setembro de 2003 as 23:43, por: cdb

O vice-presidente da República, José Alencar, cobrou uma atuação mais firme na defesa dos interesses do Brasil em todas as negociações com os organismos internacionais.

-O Brasil atingiu um superávit primário de 5% do PIB no primeiro semestre, enquanto a Argentina deu um calote e recebeu apoio do FMI para adotar um superávit de 3%. Parece que o Brasil é tão rico que os outros países não têm pena de nós. Temos que defender as nossas causas – disse Alencar, após participar da solenidade de abertura do 10º Salão de Oportunidades do Sebrae Minas, em Belo Horizonte.

Às vésperas do anúncio da decisão do Copom que irá definir a taxa básica de juros da economia, Alencar voltou a defender um “choque heterodoxo” e afirmou que o modelo clássico que vem sendo perseguido pela equipe econômica do governo “é equivocado”.

Ele criticou novamente a política atual pela qual o País “tem que pagar uma taxa 20 vezes superior à dos países com os quais tem que competir, só para segurar a inflação”.

Ele procurou não vincular suas reiteradas críticas ao resultado da reunião do Copom. “A decisão do Copom não me interessa, mas alguma coisa precisa ser feita para nós desgarrarmos a taxa de juros desse regime que mata a economia”.

Apesar de manter a tônica do discurso, o vice-presidente elogiou a atuação do ministro da Fazenda, Antônio Palocci que, segundo ele, é “um príncipe”, pelo fato de ter conseguido recuperar a credibilidade do país no exterior. O vice também disse acreditar que o Brasil deverá apresentar algum crescimento econômico neste mês e aposta em um incremento ainda maior em 2004.

Reforma Agrária

José Alencar concordou com as críticas do presidente do STF, Maurício Corrêa, que culpou o pouco esforço do Executivo como responsável pelo aumento dos conflitos no campo. “De fato, nós temos de investir mais na reforma agrária. É verdade e o governo deseja isso. Só que nós recebemos uma situação muito difícil. Nós estamos lutando com dificuldades para equilibrar as contas.

O Brasil recuperou internacionalmente todo o seu prestígio. Ainda que a inflação estivesse ameaçadora no fim do ano, ela está controlada e o Brasil, daqui para a frente, tem todas as condições de retomar o desenvolvimento”, observou o vice-presidente, após participar da solenidade de abertura do 10º Salão de Oportunidades do Sebrae Minas, em Belo Horizonte.