Aldo Rebelo, o comunista zen, fala sobre comunismo e eleições

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Publicado quinta-feira, 28 de junho de 2012 as 11:02, por: cdb

Além de debater com ênfase as questões de sua área, o ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, também falou, em entrevista ao jornal Notícia do Dia Online, de Florianópolis (SC), sobre as eleições municipais deste ano. Durante o bate-papo, ele também recordou suas ações durante o movimento estudantil de 1979. “Certamente, essa é a parte mais importante da minha formação, lembro com carinho das caminhadas e passeatas”, disse.
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O ministro também falou sobre como ele articula as negociações políticas, com respeito aos adversários.

O ministro chegou aos estúdios da Rádio Record, onde foi entrevistado, acompanhado da deputada estadual do PCdoB e pré-candidata à Prefeitura de Florianópolis, Angela Albino. O ministro Aldo Rebelo mostrou-se esperançoso com a candidatura dela e da deputada federal Manuela D´Ávila em Porto Alegre (RS).

Dentro do tema eleições, o ministro também falou sobre a forma comunista de atuar nos dias de hoje e de como ele articula as negociações políticas, com respeito aos adversários, sendo considerado um “comunista zen”.

NDOnline: O PCdoB tem duas candidaturas com chance de vitória. Angela Albino, em Florianópolis, e Manuela D’Ávila, em Porto Alegre. Estas são as principais apostas do partido nestas eleições?
Aldo Rebelo: São duas realidades. Estamos falando de lideranças consagradas e respeitadas. Acredito que a posição dessas duas candidatas nas pesquisas para prefeitura, de suas respectivas capitais, indica que são lideranças maduras, conhecidas e respeitadas. Portanto, aptas a enfrentar esse desafio.

NDOnline: Pelas contas do Partido, quantas prefeituras devem ser conquistadas?
AR: Essas contas nem sempre são exatas. Temos candidaturas fortes em Florianópolis, Porto Alegre (RS) e Fortaleza (CE).

NDOnline: O delegado Protógenes Queiroz foi eleito como paladino da verdade após a Operação Satiagraha, da Polícia Federal, que pôs um banqueiro, Daniel Dantas, e o ex-prefeito de São Paulo, Celso Pitta, atrás das grades. Agora, ele é citado na investigação da CPI do Cachoeira. Como o PCdoB vê isso?
AR: Nós valorizamos o papel do deputado federal Protógenes Queiroz. No caso da CPI do Cachoeira, um dos ajudantes do Cachoeira era, na época da investigação do Protógenes, um dos elementos da aeronáutica que ajudaram nas averiguações. Eles mantiveram esses laços com o Protógenes. Mas o deputado não fez nenhum tipo de negócio ou acordo com o Cachoeira. As relações deles eram pessoais e relacionadas apenas com essas investigações e que permaneceram ao longo do tempo com o servidor da aeronáutica.

NDOnline: Como é o jeito comunista de se governar uma cidade?
AR: Não vejo um jeito comunista de se governar uma cidade. Percebo duas formas de se governar uma cidade: ou você faz isso bem ou você faz mal. Isso independe do Partido a que você pertença. Para atuar bem é necessário fazer de forma democrática, procurar atender principalmente aqueles que são menos acolhidos, os mais abandonados pelo poder público.

NDOnline: Como o senhor vê o comunismo hoje?
AR: Nós, comunistas, procuramos conceber a nossa forma de exercer a vida pública de forma democrática, preocupada com a questão social e sem hostilizar ninguém. Ser comunista hoje é lutar por uma sociedade democrática para que o Brasil seja um país socialmente equilibrado e desenvolvido cientificamente, tecnologicamente e politicamente. Acredito que esse esforço está em coerência com a nossa história e a nossa trajetória em busca do socialismo. E nós do PCdoB lutamos por ele, exatamente porque vemos no socialismo a possibilidade de uma sociedade mais justa e equilibrada.

NDOnline: O senhor se considera um comunista zen?
AR: Procuro fazer as coisas com equilíbrio. Nós não podemos achar que nossa ideologia nos faz melhores do que os outros. Pode até nos fazer diferentes, mas não faz melhor do que ninguém. Precisamos respeitar porque essa é a forma de você pedir o respeito. Quem não respeita o outro, não pode pedir para ser respeitado.

 

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