Aldeia no sul da China vive caos após confrontos

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Publicado sexta-feira, 9 de dezembro de 2005 as 11:09, por: cdb

Policiais armados isolaram nesta sexta-feira uma aldeia do sul da China após violentos confrontos com moradores. Segundo a Anistia Internacional, foi a primeira vez desde 1989 que a polícia chinesa atirou contra manifestantes. Moradores disseram que uma tropa de choque abriu fogo na terça-feira contra moradores da localidade de Dongzhou, Província de Guangdong, que reclamavam da falta de indenização por suas terras, desapropriadas para a construção de uma usina de energia eólica. Moradores e grupos de defesa dos direitos humanos estimam que houve entre 2 e 20 mortos.

– Agora as autoridades estão vindo para a aldeia para deter as pessoas. Meus pais e minha cunhada estão ajoelhados na frente da casa pedindo às autoridades do governo que expliquem o assassinato –  disse por telefone um morador, cujo irmão teria sido morto. Ele disse ter havido mais de dez mortos.

O Partido Comunista tem o monopólio do poder na China e não tolera dissidências, mas as manifestações estão ficando mais comuns, provocadas por disputas fundiárias, corrupção e a crescente desigualdade social. Muitos desses protestos se tornam violentos, mas a Anistia considerou preocupante ter havido disparos da polícia.

– A última vez foi em 1989. Há uma falta de orientação do governo central sobre que tipo de força pode ser usada. Pedimos ao governo central que investigue o que está acontecendo por lá. A liberdade de assembléia e a liberdade de expressão são direitos humanos fundamentais que não devem ser reprimidos de forma alguma -afirmou Chine Chan, da Anistia Internacional, referindo-se à repressão ao movimento pró-democracia

 Chan acrescentou que muitos jovens da aldeia fugiram para não serem presos.

O morador que falou à Reuters disse que a polícia está afastando parentes que tentam retirar os corpos dos mortos. Implorando por ajuda, ele disse que a situação é de “caos”.

– Por favor, mandem alguém para nos ajudar – disse ele, sob forte ruído de fundo.

Os moradores de Donghzou, localidade litorânea próxima à próspera Hong Kong, dizem que autoridades locais se apropriaram da verba destinada pelo governo à indenização pela construção da usina eólica. A Anistia diz que os protestos começaram em setembro. Agricultores se queixam da retirada forçada, e pescadores temem que a usina afete seu sustento. Um funcionário do centro administrativo de Shanwei disse que policiais armados foram enviados à área, mas que a violência foi iniciada pelos moradores, que atacaram a polícia com bombas caseiras.

– Esta é uma sociedade governada pela lei. Como podemos permitir que isso aconteça? – disse o funcionário, que se identificou apenas como Cai.

Moradores dizem que há milhares de policiais armados na área, bloqueando estradas e prendendo os suspeitos de envolvimento nos protestos.