Alca volta a ser negociada entre Brasil e EUA

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Publicado terça-feira, 30 de março de 2004 as 10:06, por: cdb

Os presidentes da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), o brasileiro Ademar Bahadian e o americano Peter Algeier, negociam, a partir desta terça-feira, em Buenos Aires, um texto inicial para a estruturação do bloco. A reunião é uma prévia para o debate do Comitê de Negociações Comerciais, marcado para o dia 22 de abril em Puebla, no México, que deverá selar os próximos passos da negociação.

Em entrevista à Rádio Nacional, na manhã desta terça, o embaixador Ademar Bahadian enfatizou a necessidade de haver “realismo político” e de “retomar as decisões da reunião de Miami, em que se definiu a Alca light.

– Qual o atual estágio de negociações da Alca?

– Estamos na fase final dessa montagem do que seria a estrutura-base da Alca. Na reunião ministerial de Miami, ocorrida em dezembro, tanto o ministro Celso Amorim como o negociador norte-americano, Robert Zoellick, chegaram a um acordo sobre o que deveria ser a estrutura do bloco. E, desde então, nós estamos tentando montar essa arquitetura. Estamos muito perto de um acordo. Amanhã teremos uma reunião em Buenos Aires, onde espero que seja feito um esforço concentrado para isso.

Se houver a intenção de se continuar com as mesmas propostas anteriores a Miami, vamos ter um fracasso. Se houver realismo político, e nós adotarmos as instruções que nos foram dadas em Miami, poderemos ter uma Alca marchando a partir de 2005, como previsto.

– O que entra nessa estrutura mínima definida em Miami?

– Ela não é tão mínima assim. Na verdade, essa é a possibilidade de termos o conjunto de regras sobre todos os temas que estão à mesa, entre eles agricultura, proteção industrial e solução de controvérsias. Ou seja, uma ampla gama de regras e objetivos concretos dentro da Alca.

A questão agrícola é a que torna a negociação mais difícil. Alguns países da América do Norte, não só um, mas mais de um, têm graves dificuldades de negociar subsídios agrícolas dentro da Alca. Outro impasse é a tentativa de colocar dentro da Alca regras ainda não discutidas sequer na Organização Mundial do Comércio (OMC), como é o caso dos investimentos.

O elemento fundamental para se chegar ao acordo é obedecer o que nos foi passado em Miami. Essa orientação determina a busca de uma arquitetura que respeite as sensibilidades dos países. Isto é, devemos respeitar as dificuldades agrícolas desses países, bem como as nossas dificuldades em áreas como propriedade industrial, por exemplo, devem ser respeitadas.

– A reunião em Puebla, México, acontecerá no final de abril. Nessa próxima rodada, se fracassarem as negociações, a Alca também pode fracassar?

– Olha, eu não quero pensar nesse cenário, acho que vamos chegar a um acordo. Não sei se esse acordo será exatamente no final de abril ou se podemos ter um pouco mais de flexibilidade, mas eu não acredito em fracasso. Se não houver uma solução em Puebla, acho que antes de se determinar que houve fracasso, certamente haveria uma nova reunião ministerial envolvendo os 34 ministros dos países relacionados para tentar encontrar uma solução. Não acredito que vamos optar pelo fracasso, acho que isso não interessaria a ninguém. Não creio que, depois de todos os progressos que fizemos a partir de Miami, vamos ter uma solução de retrocesso.