Alca: Lula afirma que Brasil não está isolado nas negociações

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Publicado segunda-feira, 20 de outubro de 2003 as 20:59, por: cdb

Depois de enfrentar forte resistência de países ricos durante a reunião da Organização Mundial do Comércio em Cancún (México) e no encontro do Comitê de Negociações Comerciais (CNC) em Trinidad e Tobago, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva rebateu nesta segunda as críticas de que o Brasil esteja “isolado” nas negociações para a criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), ou disposto a adotar política de confronto com outros países americanos.

– O que precisa ficar muito claro é que não queremos política de confrontação pela confrontação para satisfazer discurso ideológico de quem quer que seja. Um acordo de livre comércio precisa levar em conta a diferença das economias – enfatizou.

Segundo o presidente, o fato do Brasil ter liderado a criação do grupo de países do G-22 foi uma “extraordinária” novidade política.

Na sua avaliação, pela primeira vez na história países que se identificam econômica e socialmente descobriram que “era preciso se unir” para fazer com que as economias ricas pudessem abrir um pouco de espaço para que as nações pobre se transformem em países “verdadeiramente desenvolvidos”.

Lula defendeu que os países ricos da Alca, como os Estados Unidos, olhem para os mais pobres como ocorreu durante a consolidação da União Européia, quando Espanha e Portugal foram beneficiados nas negociações com fundos de ajuda financeira. “Temos países muito mais pobres que Espanha e Portugal”, enfatizou.

O presidente evitou comentar diretamente a política protecionista imposta pelos Estados Unidos. Disse apenas que os brasileiros devem tirar uma lição dos americanos: a de não ter vergonha de serem brasileiros, como eles também não têm de serem norte-americanos.

– Temos que aproveitar as negociações para que, entre a vontade dos mais ricos e mais pobres, permaneça o caminho do meio – enfatizou. E deixou claro que, mesmo diante das dificuldades, o Brasil não vai abandonar a mesa de negociações. “Vamos negociar de cabeça erguida. Não estamos pedindo favor a ninguém”, resumiu.

Lula participou da abertura do Encontro Parlamentar Latino-Americano sobre a Alca, que discute o papel do Legislativo nas negociações para a área de livre comércio. O presidente discursou no plenário da Câmara dos Deputados.