Albright ajuda acusação no julgamento de ex-presidente da antiga Iugoslávia

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Publicado terça-feira, 17 de dezembro de 2002 as 12:42, por: cdb

Ex-secretária de Estado americana, Madeleine Albright testemunhou contra a ex-presidente da República Sérvia da Bósnia, Biljana Plavsic, no Tribunal Criminal International para a Antiga Iugoslávia, em Haia, na Holanda. No início de seu depoimento, Albright comparou os horrores do conflito na Bósnia à Segunda Guerra Mundial.

Albright – que era na época embaixadora dos Estados Unidos na ONU (Organização das Nações Unidas) – disse que ficava sabendo, quase que diariamente, de “pessoas sendo mantidas em ônibus, famílias separadas, milhares de pessoas forçadas a deixar suas casas”.

A nova audiência no caso de Plavsic começou na segunda-feira e deve terminar nesta quarta. Plavsic – que admitiu em 2001 ter perseguido sérvios muçulmanos e croatas – poderá ser condenada à prisão perpétua.

Acordo de Dayton

Albright defendeu Plavsic. Ela disse que, no final da guerra, Plavsic se separou dos líderes sérvios mais radicais e apoiou o acordo de paz de Dayton. “Ela foi o veículo que fez com que o acordo de Dayton fosse realizado”, disse Albright.

Na segunda-feira, em documento explicando a sua confissão, Plavisc, de 72 anos, admitiu ter acobertado crimes e ter “publicamente racionalizado e justificado a limpeza étnica de não-sérvios”.

Plavsic é a mais importante autoridade sérvia a admitir ter cometido um crime contra a humanidade.

Tratamento desumano

Também deverão testemunhar Carl Bildt, o primeiro enviado da comunidade internacional à Bósnia do pós-guerra, e Alex Boraine, ex-vice-presidente da Comissão para a Reconciliação e Verdade da África do Sul.

Plavsic, a única mulher a ser julgada pelo Tribunal, era a vice do líder sérvio Radovan Karadzic durante o conflito. Karadzic ainda não foi preso e está no topo da lista da promotoria.

Plavsic havia sido originalmente acusada de genocídio, perseguição, exterminação e deportação. Muitas das denúncias foram retiradas, no entanto, depois que ela se declarou culpada por perseguição.

Os advogados de defesa de Plavsic afirmaram que a confissão mostra que o remorso dela é “total e incondicional”.

Na segunda-feira, o ganhador do Nobel da Paz, Elie Wiesel, deu seu testemunho de Paris, via videoconferência.

Ele pediu aos juízes para levar em consideração “a dor e o sofrimento de todas as vítimas” do conflito da Bósnia na hora de decidir a sentença de Plavsic.

Uma das primeiras testemunhas a prestar depoimento no caso foi um muçulmano sobrevivente de um campo de detenção controlado pelos sérvios. Ele descreveu o local como “desumano” e disse que as condições eram “realmente brutais”.

BMilosevic

Plavsic disse que Radovan Karadzic e Slobodan Milosevic, então presidente sérvio, eram os planejadores da limpeza étnica. Ela afirmou ainda que os líderes bósnios da Sérvia sempre iam a Belgrado para “consultar, pedir orientação ou apoio de Milosevic”.

A informação, no entanto, pode não ajudar os promotores do julgamento de Milosevic, que tentam estabelecer uma conexão entre ele e a liderança bósnia.

Isso porque Plavsic já afirmou que não irá testemunhar em outros julgamentos.

Ainda não há data definida para o estabelecimento da sentença.