Al-Qaeda utiliza internet para conquistar simpatizantes

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Publicado quinta-feira, 12 de dezembro de 2002 as 19:43, por: cdb

A internet está se tornando uma arma potente na tentativa da organização Al-Qaeda em ganhar simpatizantes para a sua causa. Segundo pesquisadores, uma série de websites está coletando informações dos líderes da organização e passando-as para simpatizantes em todo o mundo.

Vídeos de ataques terroristas, discursos feitos por líderes da Al-Qaeda e pedidos para que os muçulmanas passem a agir contra o Ocidente estão sendo espalhados por um grande número de sites.

Com o acesso à internet aumentando rapidamente no Oriente Médio, cresce também a audiência para propaganda.

Ferramenta ideal

Paul Eedle, um jornalista e especialista em assuntos do Oriente Médio, tem procurado encontrar esses websites ligados de alguma maneira à organização.

“A internet é uma ferramenta ideal para uma organização como a Al-Qaeda. Não é uma questão de só algumas mensagens radicais, mas de uma grande e variada rede de sites”, afirma Eedle.

Ele diz que é preciso fazer distinção entre os “terroristas” da Al-Qaeda e aqueles que fazem campanha pela organização, distribuindo material para esses sites simpatizantes.

Alguns sites representam outros grupos do mesmo tipo, e organizações muçulmanos geralmente gostam de trocar informações.

“A Al-Qaeda tem ambições muito maiores do que simplesmente detonar alguns explosivos. Eles estão tentando mobilizar todo o mundo muçulmano contro o Ocidente”, afirma Eedle.

Ele diz que os websites ajudam a Al-Qaeda a entender como os seus atos são recebidos. Muitos desses sites ganham credibilidade ao demonstrar uma forte ligação com o grupo.

Isso, segundo Eedle, pode ser verificado ao se analisar o contexto e o conteúdo dos sites.

Propaganda

A opinião de Paul Eedle é compartilhada por outro estudioso, Aaron Weisburd, que passou meses tentando encontrar websites ligados à Al-Qaeda.

Ele diz que evidência de ligações diretas entre os sites e o grupo é difícil de ser encontrada, mas que há pouca dúvida de que a Al-Qaeda está mesmo distribuindo informações para simpatizantes.

O pronunciamento de Sulaiman abu Ghaith, por exemplo, assumindo responsabilidade pelos ataques realizados em Mombasa, apareceu primeiro em um site ligado à organização para depois ser transmitido pela rede de televisão Al-Jazeera.

Os sites também publicam discursos feitos por líderes da Al-Qaeda e palavras de condenação à cultura ocidental. Eles veiculam textos religiosos, argumentos justificando ações extremistas, arquivos de vídeo e áudio, assim como fóruns onde as pessoas podem discutir política e religião.

Muitos desses locais de debates não têm as mesmas restrições que os cidadãos do Oriente Médio sofrem.

Alguns simpatizantes da Al-Qaeda usam cybercafés oferecendo acesso à internet a preços bem baixos. Mas, segundo Eedle, muitos são professionais que têm o próprio PC em casa.

Arquivos secretos

Criar um website simpatizante à Al-Qaeda tem, no entanto, seus problemas.

Weisburd diz que muitos deles têm de mudar de base porque são encontrados e quebrados por oponentes.

Um desses sites – chamado Alneda – mostra uma mensagem dizendo que foi “encontrado e apropriado pelos Estados Unidos”.

Ainda que muitos dos sites mudem regularmente, existe uma rede informal de troca de informações que passa os detalhes do novo endereço.

Normalmente, os sites têm de mudar porque a empresa anfitriã decide que não quer ser mais associada ao grupo.

Para proteger o seu anonimato, muitos operadores dos sites ligados à Al-Qaeda preferem usar os serviços e provedores de países desenvolvidos, onde é mais fácil de se esconder porque há mais opções.

Alguns procuram por anfitriões vulneráveis e, secretamente, instalam as suas páginas até que elas sejam detectadas e apagadas, afirma Weisburd.

Geralmente, eles ficam ativos por meses até serem encontrados.

“A falta de informação e de atenção é um recurso abundante na internet”, diz Weisburd.