Al-Maliki realiza primeira operação de segurança em Basra

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Publicado quinta-feira, 1 de junho de 2006 as 10:37, por: cdb

Policiais e soldados montaram postos de controle e vasculharam veículos em Basra, nesta quinta-feira, testando a capacidade do premier Nuri al-Maliki de impor a ordem em uma operação de segurança realizada com “mão de ferro”.

Maliki decretou estado de emergência na quarta-feira e ordenou que as Forças Armadas ocupassem as ruas da segunda maior cidade do Iraque durante um mês, tentando dar provas de que pretende realmente combater a falta de segurança no país. O governo de unidade nacional comandado por ele tomou posse 11 dias atrás.

Basra, localizada 550 quilômetros ao sul de Bagdá, deve servir como teste sobre se o dirigente conseguirá traduzir suas palavras em atos – líderes anteriores do Iraque fracassaram em seus esforços para diminuir a violência e acabar com o conflito sectário que ameaça as exportações de petróleo.

Alguns moradores de Basra afirmaram que as forças de segurança deparam-se com uma complexa rede de gangues e assassinos da qual participam simpatizantes do ex-ditador Saddam Hussein e milícias xiitas rivais, que alimentam o caos em uma cidade petrolífera responsável por grande parte da receita do Iraque.

– Todos os assassinatos realizados por gangues foram resultado da ação de ex-membros do regime e de homens armados que pertencem a alguns dos partidos. O objetivo deles é destruir a segurança para proteger seus interesses – disse o comerciante Jawaad Hassan.

Postos de controle multiplicaram-se em Basra. A polícia ocupa o centro da cidade e unidades das Forças Armadas, a periferia, encarregados de inspecionar todos os veículos que passam por ali.

– Temos ordens de ficar em alerta total durante um mês. Haverá patrulhas constantes. Temos ordens de parar os carros com vidros escuros. Armas ilegais serão confiscadas – disse o capitão de polícia Ali Jassem.

Segundo Jassem, as placas dos veículos da polícia e dos militares serão registradas em um arquivo de computador – um sinal de que Maliki pode estar respondendo às queixas de que homens armados usaram carros e uniformes policiais e militares para sequestrar e assassinar suas vítimas.

Apesar de a região sul do Iraque, de maioria xiita e onde as forças britânicas estão estacionadas, apresentar um nível menor de violência que as áreas sunitas patrulhadas pelos EUA mais ao norte, Basra tornou-se um lugar muito mais perigoso nos últimos meses.

<b>LUTA PELO PODER</b>

A insegurança aumentou em meio à disputa entre os xiitas pelo poder, entregue a esse grupo religioso majoritário depois de o governo de Saddam, dominado pelos sunitas, ter sido deposto.
Basra, cujo petróleo responde por quase toda a receita do Estado iraquiano, já que os oleodutos do norte são alvos constantes de ataques rebeldes, vem sendo disputada avidamente por todos os envolvidos.

Maliki, que chefiou uma delegação de alto escalão enviada à cidade na quarta-feira e que prometeu usar “mão de ferro” para impor a ordem, afirmou que seu governo de unidade nacional, do qual participam xiitas, sunitas e curdos, tornará o Iraque um país estável. O premier é um dos líderes da Aliança Unida Islâmica, o conturbado grupo xiita que controla o governo.

As maiores facções da Aliança envolvidas na luta de poder em Basra são a organização armada Badr, o partido Fadhila – do governador da Província onde fica a cidade – e a milícia Exército Mehdi – do clérigo radical xiita Moqtada al-Sadr.

Uma pessoa próxima do Fadhila advertiu na semana passada que o partido poderia interromper as exportações de petróleo. Moradores de Basra dizem que os conflitos entre esses grupos transformaram a cidade em mais um palco iraquiano de episódios sangrentos.

– Há gangues de baathistas – do Partido Baath, de Saddam – que realizam saques. Há as milícias. Há alguns que cobram subornos. E há até algumas tribos que ocupam delegacias – contou Saleem Abdullah, de 27 anos, um estudante de pós-graduação.