Al Jazeera se surpreende com críticas dos EUA à imprensa livre no Qatar

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Publicado quinta-feira, 11 de outubro de 2001 as 17:10, por: cdb

Vamos continuar o nosso trabalho de uma forma profissional, quer seja sobre o Afeganistão ou outro local qualquer», disse nesta quinta-feira o presidente da tevê Al-Jazeera, o xeque Hamad Ben Thamer Al-Thani, acrescentando que «vamos continuar da mesma forma profissional que a Al-Jazeera traçou no início», desde o seu lançamento em 1996.

Na véspera, o diretor da cadeia de televisão, Mohammad Jassem Al-Ali, a única autorizada a emitir das regiões controladas pelos talibã, defendeu uma posição semelhante. «Até agora, a Al-Jazeera tem-se comportado de uma maneira profissional e objetiva. Vamos continuar a atuar como antes», que não deixou esconder o seu abalo pela reação dos Washington, «a capital da liberdade».

Esta determinação vem fazer frente às acusações do secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, que acusou a Al-Jazeera de transmitir declarações «irresponsáveis».

Desde o começo dos ataques norte-americanos, a Al-Jazeera tem difundido mensagens de vídeo pré-gravadas de Osama bin Laden, o principal suspeito dos atentados de 11 de Setembro nos Estados Unidos, onde apela à Jihad (guerra santa) contra os americanos e o seu contentamento com os atentados.

Quando questionado se iria continuar a difundir estas imagens, Hamad respondeu que «sim», acrescentando que a sua cadeia de televisão «vai continuar a procurar ‘furos’ (jornalísticos) qualquer que seja a sua origem».

A cadeia de televisão mostrou-se surpreendida pelas críticas dos Estados Unidos, visto que «os Estados Unidos são um Estado do qual nós aprendemos a liberdade e a imprensa», disse Hamad.

Também a imprensa local se colocou do lado da Al-Jazeera. O jornal Al-Watan disse a este respeito que «é espantoso que uma cadeia de televisão que procura um lugar ao sol da informação moderna faça críticas como estas, principalmente Washington que todo o mundo considera desde há muito tempo a capital da liberdade e da democracia».