Ainda existem gargalos no setor elétrico, diz Arce

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Publicado terça-feira, 25 de janeiro de 2005 as 14:59, por: cdb

Um conjunto de fatores, como o clima chuvoso desta época do ano e o comportamento de equipamentos novos na rede, ajuda a explicar os recentes desligamentos do fornecimento de energia em vários pontos do País. O secretário de Energia, Recursos Hídricos e Saneamento do Estado de São Paulo, Mauro Arce, ressalta, contudo, que ainda existem gargalos no sistema elétrico, que podem vir a ser testados com o crescimento real do consumo de energia elétrica.

– Nós poderemos ter até uma rede básica de transmissão adiantada e excesso de energia, mas há o risco de ela não chegar ao consumidor por causa desses gargalos – disse Arce, em entrevista à Agência Estado.

Um exemplo, segundo ele, é o segmento de subtransmissão de energia, na fronteira entre as linhas de transmissão e as redes de distribuição das concessionárias. Nos últimos anos, por causa de mudanças nas normas do setor, a responsabilidade pelos investimentos na área de subtransmissão foi transferida das transmissoras para as distribuidoras de energia. Como as distribuidoras enfrentaram uma severa crise financeira, os investimentos não foram feitos, o que criou pontos de fragilidade no sistema elétrico.

No ano passado, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) transferiu a responsabilidade pelos investimentos nesse segmento para as transmissoras, que passaram a contar com a aprovação de remuneração extra pela agência para realizar os investimentos necessários. Arce considera também que os leilões de concessões de linhas de transmissão, realizados pelo governo federal, “têm apresentado bons resultados no que se refere a preço”. Ele destacou, contudo, que “leva tempo para que as linhas sejam construídas”.

O secretário paulista disse ainda que em 2004, pela primeira vez desde o racionamento de energia elétrica, o consumo de energia elétrica apresentou um volume superior ao de 2000. “Em São Paulo houve um crescimento de 5,6% do consumo de energia sendo que o aumento em relação aos níveis de 2000 foi de 1,5%”, disse Arce. “É importante que se tenha cuidado com os investimentos nesse segmento”, acrescentou.

Segundo Arce, cerca de 75% das ocorrências do sistema elétrico brasileiro são nesta época do ano, quando as linhas de transmissão recebem fortes ventos, chuvas e descargas atmosféricas. Conspira também para o aumento do número de ocorrências o comportamento dos equipamentos novos, que “têm uma incidência maior de defeitos”, disse ele. “É o que chamamos de curva da banheira: os equipamentos apresentam problemas no início de sua vida útil, se estabilizam posteriormente e voltam a apresentar problemas no final”, acrescentou.

Ao comentar a idéia de se construir uma usina termelétrica no Espírito Santo, com o objetivo de diminuir a fragilidade no fornecimento de energia ao Estado, Arce disse que é preciso levar em consideração o custo dessas alternativas. “Quando se apresenta o preço (dessa alternativa) ao cidadão, ele se assusta”, afirmou.