Ahmadinejad defende saída de militares do Afeganistão e provoca protesto da delegação dos Estados Unidos

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Publicado segunda-feira, 26 de março de 2012 as 07:26, por: cdb

Renata Giraldi*
Repórter da Agência Brasil

Brasília – Ao defender hoje (26) a retirada imediata de todas as tropas norte-americanas e estrangeiras do Afeganistão, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, provocou um protesto silencioso da delegação dos Estados Unidos durante a conferência que discute a segurança e a reconstrução da região. As discussões ocorrem Dushanbe, capital do Tadjiquistão.

“A Otan [Organização do Tratado do Atlântico Norte] e os Estados Unidos devem mudar de política. Queremos que as tropas estrangeiras deixem o Afeganistão o mais rápido possível”, disse Ahmadinejad. “A causa de todos os males no Afeganistão é a presença das forças da Otan no solo afegão, sobretudo, as [tropas] dos Estados Unidos.”

A delegação norte-americana é comandada pelo subsecretário de Estado, Robert Blake. O presidente afegão, Hamid Karzai, também estava no local, no momento em que Ahmadinejad defendeu a retirada das tropas estrangeiras. Os norte-americanos retornaram à sala depois que o presidente iraniano concluiu o discurso.

Desde 2001, há no Afeganistão tropas estrangeiras. A ocupação foi definida pela Otan devido aos ataques de 11 de setembro (de 2001). A previsão é que as tropas deixem a região até o final de 2014 embora os alemães (que também integram as tropas) não confirmem essa data. “Nós queremos que a comunidade internacional nos ajude a estabelecer a serenidade e a estabilidade”, disse o presidente afegão.

Reuniões nas quais delegações norte-americanas e iranianas estejam presentes são raras. Os Estados Unidos e o Irã romperam as relações diplomáticas em 1979, quando houve a Revolução Islâmica iraniana. As tensões entre os dois país são elevadas devido às controvérsias envolvendo o programa nuclear iraniano.

Os norte-americanos lideram uma campanha internacional que levanta suspeitas sobre a produção secreta de armas atômicas no Irã. A suspeita é negada pelas autoridades iranianas. Segundo os iranianos, o programa tem fins pacíficos.

 

*Com informações da emissora pública de rádio da França, RFI    //     Edição: Lílian Beraldo