Agricultores comemoram safra recorde e maior receita obtida durante anos

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Publicado domingo, 16 de março de 2003 as 09:12, por: cdb

Os agricultores brasileiros estão comemorando nesta safra de grãos não apenas uma colheita recorde, mas também a maior receita auferida de todos os tempos com a atividade agrícola.

Estimativas de consultorias privadas apontam um volume de produção entre 108,5 milhões de toneladas e 115 milhões de toneladas. Levando-se em conta a projeção mais conservadora, entre arroz, feijão, milho, algodão, soja e trigo, o campo deverá receber neste ano uma injeção de R$ 56,5 bilhões, cifra quase 50% maior do que a registrada em 2002.

Se forem incluídas as lavouras perenes, como café, cana-de-açúcar, fumo e laranja, a renda da agricultura deverá saltar para R$ 98 bilhões, com crescimento de 40% ante o ano anterior. A projeção é da consultoria MB Associados, que considera os volumes de colheita calculados pelos institutos de pesquisas e os preços médios estimados pelo mercado.

Essa montanha de dinheiro já começou a movimentar a economia e deverá trazer nos próximos meses um fôlego novo para o comércio, a indústria e os prestadores de serviços das cidades do interior do País. O comércio do município de Lucas do Rio Verde, ao norte de Cuiabá (MT), uma das primeiras regiões onde se colhe soja no Brasil, está sentindo o impacto da renda da safra.

“Hoje, 80% da safra de soja do município foi colhida”, diz Osvaldo Martinello, dono da Eletromar, rede com 15 lojas do Mato Grosso, especializadas em móveis e eletrodomésticos. Por conta disso, em janeiro e fevereiro, as vendas da unidade da empresa que fica em Lucas do Rio Verde cresceram 30% em relação a igual período de 2002.
Descontada a inflação, o acréscimo foi de 18%.

“A época da colheita é o segundo Natal para nós”, afirma Martinello. Ele diz que neste período do ano cresce o pagamento à vista, que chega a representar a metade do faturamento, tudo por causa da renda agrícola. “É comum na região os trabalhadores rurais receberem cerca de dois salários mínimos a mais a título de participação por causa de ganhos de produtividade.”

O produto campeão de vendas desta safra na Eletromar, por exemplo, é o telefone celular pré-pago, que custa cerca de R$ 300. No ano passado, as vendas nesta mesma época foram lideradas pelo televisor por causa da Copa do Mundo.

A história se repete no oeste da Bahia. A Maxum Ltda, a maior revenda de máquinas agrícolas da marca Case no País, localizada no município de Luís Eduardo Magalhães (BA), vendeu desde novembro 30 colheitadeiras de alta tecnologia, que custam na faixa de R$ 480 mil. No mesmo período do ano anterior, a companhia faturou 25 máquinas, diz o gerente-geral da revenda, Laudenir Valoto.

O acréscimo no número de tratores e de plantadeiras nesse período foi de 25% e 40%, respectivamente. Ele observa que, a cada ano, vem aumentando a procura por máquinas mais sofisticadas, sinal de que o agricultor vem se capitalizando e investindo no campo.

A renda tem sido direcionada não apenas para máquinas mais modernas, mas também para a expansão da área plantada. “Só neste mês vendi duas fazendas, uma de 4 mil hectares e outra de 2,5 mil hectares”, diz o corretor de imóveis Eleceone de Oliveira, dono da OS Empreendimentos, imobiliária que fica em Luís Eduardo Magalhães (BA).

Ele observa que os compradores são agricultores de Minas Gerais e do Sul que pretendem ampliar o cultivo de soja no Centro-Oeste. “Além disso, tenho mais oito negócios engatilhados, e de grandes áreas, na faixa de 8 mil hectares, ante 2 mil hectares no ano passado.”

Em 2002, no período pós-colheita, Oliveira conseguiu vender cinco fazendas e, neste ano, a expectativa é fechar ao todo sete negócios.

As vendas realizadas até agora são quitadas em três vezes, mesmo tendo ocorrido uma valorização da terra de 35% nos últimos 12 meses.

Em março de 2002, um hectare pronto para plantio de soja estava cotado a R$ 4,8 mil e, neste ano, está na faixa de R$ 6,5 mil.
A expectativa do comércio é positiva em outras reg