Agência de classificação de risco melhora avaliação do Brasil

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Publicado terça-feira, 11 de março de 2003 as 09:50, por: cdb

A agência de classificação de risco Fitch Ratings passou nesta segunda-feira as perspectivas para o Brasil de negativas para estáveis. No entanto, a Fitch manteve em ‘B’ a classificação das dívidas em reais e em moeda estrangeira do país.

A mudança é parte de um novo momento da avaliação do país no mercado externo. A agência diz que reflete a “acentuada reviravolta no desempenho do comércio exterior do país e sinais de que o novo governo está comprometido com políticas econômicas que podem pôr as finanças públicas e externas do Brasil em um caminho sustentável”.

Para a agência, com a melhora na balança comercial, o Brasil poderá sofrer menos, se for confirmada uma guerra no Iraque.

“Como o Brasil está menos dependente de financiamento externo, está também menos vulnerável a um aumento de aversão ao risco que pode resultar da guerra do Golfo, por exemplo”, diz David Riley, diretor executivo de risco soberano da Fitch.

Política econômica

De acordo com Riley, a outra razão que levou a agência a melhorar as perspectivas de classificação é a política econômica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, especialmente a decisão de aumentar o superávit primário de 3,75% do PIB para 4,25% do PIB (Produto Interno Bruto).

Segundo a agência, a transição histórica de um governo de “centro-direita para o primeiro governo de esquerda” desde o regime militar foi mais tranqüila do que o esperado.

O aumento da confiança dos mercados no governo Lula, de acordo com a Fitch, transparece no aumento dos níveis de rolagem da dívida doméstica, que hoje estão em 100%, depois de terem caído para 63% da oferta de títulos públicos nos leilões.

Ainda assim, o perfil da dívida pública interna continua “desfavorável” e suscetível a choques negativos, ressalva a agência.

Mas a agência elogia a decisão do Banco Central de aumentar os juros duas vezes, desde o início do governo Lula, o que mostrou também o compromisso do governo com o combate à inflação.

“Restaurar a credibilidade do regime de metas de inflação é crucial para estabilizar a taxa de câmbio e para melhorar o perfil da dívida pública”, avalia a instituição.

Guerra

Riley reconhece que o ambiente externo não é favorável nesse momento e que há riscos para a economia mundial em função de uma provável guerra no Iraque.

O aumento na aversão ao risco entre os investidores e a possível elevação dos preços do petróleo afetariam o desempenho da economia no mundo e no Brasil.

A agência trabalha com um cenário em que a guerra deve durar de seis a oito semanas e, com isso, o impacto sobre os mercados financeiros e a alta do petróleo teriam curta duração.

“O Brasil está distante do conflito, fez suficiente progresso e reduziu sua dependência de financiamento internacional a um ponto em que agora deve ser capaz de absorver as conseqüências negativas de um conflito”, diz o diretor da Fitch.

Se a guerra se prolongar, no entanto, e os preços do petróleo ficarem elevados por um período mais longo, a economia mundial sofreria.

“Essas seriam más notícias para o Brasil e para muitos países e, nesse caso, poderíamos revisar a classificação de risco do Brasil e de outros. Mas esse não é o nosso cenário básico”, observa.

Perspectivas

A agência vai acompanhar de perto os acontecimentos na economia brasileira para uma eventual elevação da classificação de risco dos débitos do país.

Para Riley, um dos aspectos decisivos para o Brasil será a retomada do crescimento.

“Se a recuperação se afirmar este ano e se tivermos confiança razoável de que ela continuará em 2004, então seria um fator muito positivo”, disse.

“Se isso for combinado com a permanência do acordo com o FMI e algum progresso em reformas das finanças públicas, da Previdência e maior independência do Banco Central, haveria prospectos razoáveis para outro movimento positivo na classificação do Brasil em um horizonte de 12 a 18 meses”, acrescentou.

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