África do Sul começa lentamente a distribuir remédio anti-Aids

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Publicado quinta-feira, 1 de abril de 2004 as 15:27, por: cdb

O programa da África do Sul de tratamento gratuito para portadores do HIV, vírus causador da Aids, deu um passo à frente na quinta-feira, dia em que pacientes começaram a receber remédios anti-retrovirais (ARV).

No Hospital Chris Hani Baragwanath, perto de Johanesburgo, 20 adultos e crianças com Aids receberam os remédios. Nos próximos 12 meses, o grupo de pessoas atendidas pelo programa deve saltar para 10 mil.

“Esse é um incentivo moral bastante grande”, disse o médico Arthur Manning, que coordena o programa de atendimento do hospital. “No passado, sentíamos como se fôssemos capazes de dar algum atendimento, mas não o suficiente.”

Baragwanath e outros quatro hospitais da Província de Gauteng deram início na quinta-feira ao programa de distribuição dos ARV, abrindo uma nova frente de combate à epidemia que afeta 1 em cada 11 sul-africanos e mata cerca de 600 pessoas por dia.

Os números iniciais são pequenos e não havia filas nos hospitais. Mas as autoridades esperam que a quantidade de pacientes atendidos aumente bastante quando o programa se espalhar para hospitais e clínicas de todo o país.

Apesar da gravidade da epidemia na África do Sul, o governo do presidente Thabo Mbeki se recusou, no ano passado, a fornecer o tratamento com ARV, argumentando que ele era caro demais, potencialmente tóxico e difícil de ser administrado.

A Província do Cabo Ocidental, onde fica a Cidade do Cabo, deu início a seu próprio programa de distribuição dos medicamentos no começo deste ano. Espera-se que até 2009, cerca de 1,4 milhão de sul-africanos estejam recebendo o tratamento.

Funcionários dos hospitais dizem possuir medicamentos suficientes para garantir por três meses o tratamento para as poucas pessoas beneficiadas inicialmente. Mas advertiram que o futuro é incerto.

A África do Sul tem negociado com laboratórios para adquirir os ARVs e as empresas nacionais começaram a fabricar versões genéricas dos produtos. Mas as autoridades da área de saúde temem que, à medida que o programa se dissemine, haja dificuldades no fornecimento.