Aécio Neves quer ser o candidato tucano à sucessão de Lula

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Publicado domingo, 27 de novembro de 2005 as 15:14, por: cdb

Governador de Minas Gerais, aos 45 anos, Aécio Neves está decidido a figurar na largada à sucessão do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Com o apoio tácito do ex-presidente Itamar Franco, de volta à cena política após três anos no exterior, como embaixador do Brasil na Itália, o dirigente mineiro tem circulado, nas últimas semanas, junto a importantes setores tucanos, com a tese de que ele poderá simbolizar uma terceira via para os eleitores que não desejam mais o PT no poder, mas não querem embarcar no estilo mais arrojado do ex-governador fluminense, Anthony Garotinho, hoje no PMDB.

Vaidoso e bem-humorado, Aécio é visto com freqüência nas rodas sociais do Rio e de São Paulo, cercado de estrelas como Ronaldinho, Gisele Bündchen, Luciano Huck ou Zeca Pagodinho. Divorciado, não dispensa a companhia de bonitas mulheres e as festas, no melhor estilo de seu conterrâneo, Juscelino Kubitcheck de Oliveira, ex-presidente brasileiro considerado um mito por sua visão futurista ao construir Brasília. Entre as namoradas famosas estariam as apresentadoras de TV Doris Giesse, Cynthia Howlett e Ana Luiza Castro. Na política, porém, o neto de Tancredo Neves tem aprimorado o acento clássico aos seus discursos e acrescentado uma pitada a mais de sobriedade nas propostas econômicas para o país.

O fato de pertencer à oposição, mas nutrir o respeito de boa parte do governo por suas posições conciliadoras em momentos de maior gravidade, Aécio tem preparado um discurso para consumo interno dos tucanos que surge no momento em que São Paulo, com o candidato derrotado à Presidência da República José Serra e o atual governador, Geraldo Alkmin, lançam-se em uma disputa que, queiram ou não, acaba por desgastar a ambos junto ao tucanato. A posição equilibrada de Aécio Neves tem servido como antídoto aos radicais do seu próprio partido, ou do PFL e até mesmo do PT, segundo um experiente político mineiro, ex-governador do Estado, mas que prefere não ser nominado ainda para “não colocar em risco a credibilidade das ações desinteressadas de Aécio Neves em nome da governabilidade no país”.

– O atual governo Lula vai acabar no dia 1º de janeiro de 2007 e, a menos que ele seja reeleito, um outro governante vai assumir o posto de mandatário da Nação. A era Lula pode acabar, mas Brasil continua, e não podemos nos entregar a uma luta fraticida nas urnas, sob pena de se gerar um estado de espírito negativo para o país, o que terminaria por atrasar a vida de todos. Esta é a síntese do discurso com o qual Aécio tem conseguido chegar, e bem, aos centros de poder político e econômico do país. E o faz com desenvoltura – afirmou o ex-governador.

Além da simpatia de Itamar Franco, Aécio Neves conquistou, não faz muito tempo, as boas graças de outro mineiro, o vice-presidente da República, José Alencar, hoje no Partido Republicano (PR), que reúne um forte contingente evangélico. Em recente almoço em Brasília, os três foram unânimes em afirmar que a sucessão do presidente Lula “passa por Minas Gerais”. Bem ao estilo das raposas políticas mineiras, não esconderam que o encontro ia muito além das conversas sobre pão de queijo, afinal, a velha disputa com São Paulo é um prato muito mais apreciado.

Gilberto de Souza é editor-chefe do Correio do Brasil.