Aécio Neves aparece como alternativa para evitar divisão no ninho tucano

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Publicado segunda-feira, 22 de outubro de 2001 as 17:27, por: cdb

O maior receio dos tucanos neste momento é de uma colisão entre os dois principais postulantes do PSDB durante o processo de escolha do candidato oficial, atualmente polarizada entre José Serra, ministro da Saúde, e Paulo Renato de Souza, ministro da Educação. A decisão só deverá ter um desfecho em março ou abril do ano que vem.

Se a disputa resultar em ressentimentos, o risco de fragmentação do partido é grande. Atentos à possibilidade desse desfecho, um grupo de tucanos do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Goiás trabalha por uma candidatura alternativa: a do presidente da Câmara. Aécio Neves.

Discípulo da escola política mineira, Aécio faz o possível para dissimular seus movimentos. Reconhece que Tasso e Serra têm precedência hierárquica no partido e garante que seu projeto político neste momento está voltado para Minas – pretende ser candidato ao governo ou ao Senado, dependendo do quadro eleitoral. Ao mesmo tempo, procura dar visibilidade nacional à sua gestão como presidente da Câmara, reúne-se freqüentemente com setores do empresariado e se esforça para seduzir os meios de comunicação.

Uma corrente do partido avalia que ele seria o candidato com maior potencial de crescimento na campanha – a lista de argumentos começa com o fato de Aécio ser herdeiro político de seu avô Tancredo Neves, presidente que morreu antes da posse, comovendo o País. Outra corrente pondera que a juventude – 40 anos – e a falta de experiência administrativa dele podem transmitir insegurança aos eleitores. A maioria concorda, no entanto, que Aécio não aceitaria embarcar em uma candidatura de risco, preferindo esperar a próxima oportunidade. “Ele é como o avô: não mergulha na piscina se a água não estiver pela borda”, define um tucano paulista.