Advogado de Teixeira não sabe como defender o chefe diante da CPI

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Publicado quarta-feira, 22 de agosto de 2001 as 22:54, por: cdb

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) convocou o advogado Luís Roberto Barroso para esclarecer as suspeitas de envolvimento do presidente da entidade, Ricardo Teixeira, em uma série de irregularidades, como denunciou a TV Globo, na última edição do programa Globo Repórter. Muito tenso, Barroso não conseguiu explicar nada e sequer defendeu a integridade de Teixeira.
Perguntado se poderia assegurar que o dirigente não cometera crimes de lavagem de dinheiro, evasão fiscal, apropriação indébita, perjúrio e sonegação fiscal, como suspeita a CPI do Futebol, do Senado, Barroso surpreendeu. “Não estou autorizado a falar em nome do presidente”, foi sua resposta.
Barroso disse que vai sugerir a Teixeira que a CBF entre com ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para tornar nula qualquer investigação a respeito dos negócios relacionados à CBF. “Como entidade privada, a CBF não pode ser investigada por uma CPI. É uma inconstitucionalidade”, afirmou.
No meio da entrevista, o advogado deu a entender que Teixeira poderia vir a tentar o quinto mandato seguido à presidência da CBF. “Com certeza, ele não vai renunciar. Pelos precedentes, é muito mais fácil que ele se candidate de novo”, disse. Teixeira, porém, afirmara a assessores, meses atrás, que não estaria disposto a concorrer novamente. Resta saber se mudou de idéia.

AFASTAMENTO

O presidente da CBF continua afastado de suas atividades por causa de problemas circulatórios, de hipertensão e diabetes, conforme informou Barroso. No entanto, o dirigente emitiu nota oficial, que foi lida pelo advogado: “Não questionei a quebra de meus sigilos bancário, fiscal e telefônico determinada pela CPI, por nada ter a temer. Fui surpreendido com sua divulgação indevida e com os comentários e especulações inverazes que a acompanharam.”
Em outro parágrafo da nota, Teixeira afirma que o crescimento de seu patrimônio é “perfeitamente compatível” com seus rendimentos declarados ao Imposto de Renda. Garante, também, que nunca teve empresas no exterior e que não comentaria questões relacionadas à divulgação “inconstitucional e ilegal” de seus dados fiscais e bancários.