Administrador da Funai vira refém de índios guarani-kaiowás

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Publicado segunda-feira, 15 de janeiro de 2007 as 20:37, por: cdb

Os índios guarani-kaiowás fizeram refém, nesta segunda-feira, o administrador regional da Fundação Nacional do Índio (Funai), Gildo Martins, 46 anos, para forçar uma decisão sobre o sepultamento do corpo a índia Suritê Lopes, 70 anos. Ela foi assassinada no último dia 8, dentro da Fazenda Madama, em Mato Grosso do Sul, quando participava juntamente com 80 kaiowás da invasão do imóvel, que segundo os índios ocupa parte da Aldeia Jaquapery.

Os líderes da invasão alegam que a vida dos 800 indígenas que habitam a aldeia ficou desequilibrada depois do crime e querem que ela seja sepultada dentro da propriedade rural, situada entre os municípios de Amambaí e Coronel Sapucaia, extremo Sul do Estado, na divisa com o Paraguai. O conselho da tribo defende que sem esse procedimento a paz não voltará.

O procurador da República em Dourados, Charles Stefan Pessoa, solicitou da Justiça Federal do município autorização para tanto, que foi negada. Em seguida, ele apelou ao Tribunal Regional Federal, em São Paulo, que também indeferiu o pedido.

A decisão foi comunicada aos índios no sábado, quando resolveram continuar o bloqueio iniciado um dia antes na MS-289, que liga Amambaí a Coronel Sapucaia. Nesta segunda-feira, o administrador da Funai em Amambai foi até o local contornar a situação e acabou ficando refém dos manifestantes, que acrescentaram mais uma exigência para liberar a estrada: a libertação de quatro kaiowás presos na Delegacia de Polícia Civil de Amambai, acusados de furtos de máquinas da Fazenda Madama.

Charles Pessoa foi para o local do bloqueio, tentando contornar a situação, juntamente com o antropólogo do Ministério Público Federal, Marcos Homero. Até o início da noite, não havia notícia sobre as negociações. A Polícia Rodoviária Estadual em Amambai confirmou que o bloqueio continuava inalterado. Segundo informações do Ministério Público Federal, não há confirmação sobre suspeitas de que o procurador e o antropólogo, também tenham sido feitos reféns dos kaiowás.