Acusados da morte do pequeno João Hélio são acareados no Rio

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Publicado terça-feira, 13 de fevereiro de 2007 as 10:15, por: cdb

A polícia do Rio de Janeiro tenta descobrir a partir desta terça-feira qual foi a participação exata de cada um dos acusados da morte do menino João Hélio durante assalto no subúrbio de Oswaldo Cruz. Depois de roubarem o carro da mãe do menino, os bandidos o arrastaram pendurado do lado de fora do carro pelas ruas de quatro bairros, num total de sete quilômetros, num crime que deixou a cidade em choque há uma semana.

Os acusados: Carlos Eduardo Toledo de Lima, Diego Silva, Carlos Roberto da Silva e Thiago de Abreu Matos e mais um adolecente de 16 anos, vão ficar frente a frente na 30ª DP, de Marechal Hermes, para a polícia tentar chegar a uma conclusão sobre o que cada um deles fez desde antes do assalto até a hora em que pararam de arrastar o corpo do menino.

Os cinco envolvidos serão interrogados por três delegados, que pretendem observar de perto a reação de cada um e esclarecer contradições que existem nos depoimentos dos acusados. O próximo passo será a reconstituição do crime.

Segundo o delegado Hércules Nascimento, que investiga a ação dos criminosos, Carlos Eduardo Toledo de Lima e Diego Silva serão indiciados por formação de quadrilha, corrupção de menor e latrocínio, roubo seguido de morte. Podem ser condenados, cada um, a até 40 anos de prisão. Já o menor, poderá cumprir medida sócio-educativa de até três anos.

Carlos Roberto da Silva e Thiago de Abreu Matos também serão indiciados por formação de quadrilha e corrupção de menor. Mas, vão responder apenas por roubo e poderão ter uma pena menor: até 20 anos de prisão.

O procurador-geral de Justiça do Estado, Marfan Vieira, disse que não concorda com a divisão do grupo. – Se todos concorreram para o evento-morte, todos deverão responder também por latrocínio – opinou.

Segundo o procurador, os envolvidos poderão estar fora da cadeia bem antes de cumprir toda a sentença, apesar de latrocínio ser crime hediondo, que pela lei não daria direito à redução da pena.

– Uma decisão recente do Supremo Tribunal Federal entendeu que essa norma é inconstitucional, e que os autores desses crimes têm direito à chamada progressão de regime. Ou seja, depois de cumprido um sexto da pena, eles podem progredir do regime fechado para o regime semi-aberto, o que significa dizer, em outras palavras, que cumpridos cinco anos dessa pena, eles poderão alcançar, ainda que parcialmente, a liberdade, o que é lamentável – aponta Marfan Vieira.
 
Laudo: Menino morreu nos 100 primeiros metros
 
O laudo sobre morte do menino João Hélio Fernandes, 6 anos, indica que ele morreu logo após a partida do carro ao qual ficou preso pelo cinto de segurança. De acordo com o documento, a morte teria ocorrido ainda nos 100 primeiros metros do percurso de 7 quilômetros feito pelos bandidos que dirigiam o veículo.